normalidade - Mundo - iG" /

Rússia recebe líder da Alemanha para retomar normalidade

Por Oleg Shchedrov SÃO PETERSBURGO, Rússia (Reuters) - O presidente da Rússia, Dmitry Medvedev, que na quinta-feira recebeu em sua cidade natal a chanceler da Alemanha, Angela Merkel, disse que a parceria entre os dois países havia sobrevivido às tensões provocadas pela guerra de agosto na Geórgia.

Reuters |

"Nossas consultas mostraram a maturidade da parceria russo-germânica, uma habilidade de dar ouvidos a um parceiro, de levar em consideração os interesses um do outro não obstante as diferenças existentes", disse o dirigente no evento conhecido como Diálogo de São Petersburgo.

A Rússia vê no encontro anual entre políticos e empresários dos dois países uma boa oportunidade para tentar retomar a atmosfera de normalidade com seus maiores parceiros da Europa, que condenaram a operação militar russa no território georgiano.

As negociações entre Medvedev e Merkel, que ocorrem depois de um encontro do qual ambos participaram, devem centrar-se no aprofundamento dos laços econômicos, entre os quais o ambicioso projeto Nord Stream -- um gasoduto de 7,4 bilhões de euros que levaria gás natural da Sibéria para a Europa por debaixo do mar Báltico.

O ponto alto do encontro foi a assinatura de um acordo entre a estatal russa Gazprom, que detém o monopólio do setor petrolífero no país, e a alemã E.ON, a respeito de um swap de ativos.

Porém, apesar dos acordos na área de energia, o desgaste provocado pela invasão da Geórgia continua a fazer-se presente.

"Nós consideramos a reação da Rússia (no território georgiano) como algo desproporcional e já dissemos que a confiança mútua precisa ser reconstruída", afirmou Merkel.

A Alemanha é o maior parceiro comercial da Rússia -- o total das trocas bilaterais entre esses países deve atingir 60 bilhões de dólares neste ano. No entanto, esses laços viram-se bastante prejudicados pelo breve conflito entre a Rússia e a Geórgia, criticado amplamente por potências ocidentais.

PROBLEMAS COMUNS

Segundo Medvedev, a Rússia e a Alemanha deveriam trabalhar juntas para superar a atual crise financeira internacional e redesenhar a economia mundial, hoje centrada nos EUA.

"Os problemas ligados à crise financeira são o principal. O restante precisa ficar em um segundo plano", afirmou. "Os eventos recentes mostram que a época da dominação de uma economia e de uma única moeda chegou ao fim de forma irrevogável."

Merkel fez duras críticas à ação militar da Rússia na Geórgia, que começou depois de os georgianos terem lançado uma investida para tentar retomar o controle sobre a região separatista da Ossétia do Sul.

A chanceler, no entanto, deu apoio ao acordo mediado pelo presidente da França, Nicolas Sarkozy, e pelo qual a Rússia concordou em retirar-se do território georgiano até o dia 10 de outubro e em permitir a entrada no país de monitores da União Européia (UE).

Na quarta-feira, Medvedev disse que a Rússia cumpriria suas promessas no prazo acertado. Autoridades da UE afirmaram que a prontidão do governo russo em aceitar o plano de Sarkozy ajudou a retomar as negociações sobre um pacto de cooperação Rússia-UE.

A Rússia diz ter enviado soldados para a Geórgia a fim de evitar um banho de sangue na região onde mantém uma missão de paz desde o começo dos anos 90.

O governo russo esforça-se para mostrar que as críticas vindas do Ocidente a respeito da guerra não deixaram a Rússia isolada dentro da Europa. No mês passado, o primeiro-ministro do país, Vladimir Putin, e o primeiro-ministro da França, François Fillon, dirigiram um encontro intergovernamental realizado em Sochi, um balneário localizado na costa do mar Negro.

    Leia tudo sobre: iG

    Notícias Relacionadas


      Mais destaques

      Destaques da home iG