Rússia propõe espaço único de segurança para zona euroatlântica

Helsinque, 5 dez (EFE).- O ministro de Relações Exteriores russo, Serguei Lavrov, defendeu hoje na capital finlandesa Helsinque uma reforma da Organização para a Segurança e a Cooperação na Europa (OSCE), a fim de criar um espaço único de segurança para toda a zona euroatlântica.

EFE |

"A história mostra que a incapacidade para se renovar é letal", afirmou o chefe da diplomacia russa diante das 56 delegações da OSCE, que, segundo ele, "não cumpre com seus objetivos primordiais".

Lavrov disse que a organização "não só é incapaz de impedir guerras, mas de também reagir ao uso ilegal da força em violação clara da Ata Final de Helsinque", referindo-se ao conflito com a Geórgia em agosto.

"Há alguns que insistem em manter a organização imutável", disse sobre os países que vêem com reservas as propostas russas, especialmente os do leste europeu, EUA e Reino Unido.

Por isso, Rússia solicitou que a "OSCE se incorpore à iniciativa do presidente (russo Dmitri) Medvedev para a conclusão de um tratado juridicamente vinculativo de segurança européia que permita um espaço único de segurança coletiva para todos os Estados euroatlânticos".

Após lembrar que seu país deixou de aplicar o tratado sobre as forças Convencionais na Europa (FCE), destacou que um dos aspectos centrais do novo pacto seria pôr em dia os acordos sobre armas convencionais.

Lavrov expôs o que considerou como "padrões dúplices" na OSCE, em aspectos como a observação eleitoral, sobre a qual disse que existem "desigualdades" dependendo de em que países atuam.

Os observadores eleitorais da OSCE não puderam participar da última eleição da Rússia devido à oposição deste país, que veio repetindo que estas missões interferem na política interna dos Estados e são mais duras no espaço ex-soviético que no Ocidente.

A proposta de uma cúpula para debater um novo pacto de segurança afastado das premissas da Guerra Fria foi lançada recentemente pelo presidente francês, Nicolas Sarkozy, e seu colega russo, Dmitri Medvedev.

Esse debate dividiu a OSCE em dois blocos, contraponto aqueles países que consideram a iniciativa positiva, como Alemanha, França, Itália e Espanha, e que os que duvidam dela, como EUA, Reino Unido e a maioria dos países do leste europeu.

Lavrov leu ontem, durante o almoço de trabalho com seus colegas, um documento de quatro páginas intitulado "Iniciativa Russa sobre o acordo sobre segurança européia", divulgado hoje pelas autoridades de seu país.

Esse documento de nove pontos inclui exigências já conhecidas, como sua rejeição ao escudo antimísseis idealizado pelos EUA na Polônia e República Tcheca, antigos países do Pacto de Varsóvia.

Uma fonte diplomática explicou à Agência Efe que a OSCE recebeu o documento com uma clara divisão, entre aqueles que o rejeitaram e aqueles favoráveis a dialogar com a Rússia, "o que não significa que se aceite tudo o que propõem".

O finlandês Alexander Stubb, presidente da OSCE, explicou que existem "divergências" sobre a data e o conteúdo de uma cúpula sobre segurança na Europa, que a Rússia espera que ocorra em 2009.

"Muitos dos membros consideram que de uma cúpula devemos estar seguros sobre o que exatamente vamos discutir", precisou Stubb.

As divisões internas na OSCE, sobretudo as diferenças entre os países ocidentais com a Rússia, impedem, desde 2002, a adoção de um documento final nas conclusões das reuniões ministeriais anuais.

Outra fonte diplomática disse que neste ano, embora fosse "muito complicado", poderia se adotar uma declaração política de que existe vontade russa para negociar um texto, em troca de que lhes prometam a organização da cúpula desejada por Medvedev.

As decisões na OSCE se tomam por unanimidade, pelo que costuma ser muito complicado alcançar um consenso. EFE ll/jp

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