Rússia propõe cooperação nuclear com o Equador

Por Alonso Soto QUITO (Reuters) - A Rússia está interessada em ampliar a cooperação energética com o Equador, inclusive em atividades nucleares, disse o chanceler Sergei Lavrov na quinta-feira em visita ao país andino.

Reuters |

"Se o Equador estiver interessado, podemos discutir projetos", disse Lavrov à Reuters, quando questionado sobre a questão nuclear. "Listei áreas em que podemos oferecer tecnologia. Cabe ao governo do Equador decidir se está interessado."

Quito ainda não se manifestou sobre as ofertas.

O Equador não tem usinas nucleares, e Lavrov não especificou que tipo de ajuda Moscou poderia fornecer.

A visita de Lavrov serviu para assinar acordos de cooperação militar e para iniciar negociações comerciais em 2009. Ele afirmou que há interesse da Rússia em aprofundar as relações com o Equador (que é membro da Opep) nos setores de gás e petróleo.

Mais do que isso, a Rússia está tentando ampliar sua influência na América Latina, num momento em que suas relações com os EUA estão no pior nível desde o fim da Guerra Fria.

Navios russos chegaram nesta semana à Venezuela para um exercício naval, refletindo a aproximação do governo esquerdista de Hugo Chávez com a Rússia, de onde ele já comprou bilhões de dólares em caças, helicópteros e armas, causando irritação em Washington.

O presidente do Equador, Rafael Correa, é um dos principais aliados regionais de Chávez e também faz críticas recorrentes ao presidente George W. Bush, embora em geral mantenha relações cordiais com os EUA.

Especialistas dizem que o crescente interesse da Rússia pela América Latina seria uma resposta às atividades dos EUA no Leste Europeu, o que possivelmente incluirá a instalação de um escudo antimísseis, que Moscou vê como uma ameaça à sua segurança.

As relações entre Rússia e EUA chegaram a seu ponto mais baixo na breve guerra de agosto entre russos e georgianos pelo controle de duas províncias separatistas da Geórgia, país aliado do Ocidente.

O Equador tem poucas relações comerciais e militares com a Rússia. Historicamente, Quito recorre a Washington para treinar oficiais e obter tecnologia bélica. Correa, no entanto, já anunciou que não pretende renovar a concessão para que os EUA usem a base aérea de Manta em operações contra o narcotráfico.

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