Rússia promete abrir mão de armas se EUA abandonarem escudo

Por Oleg Shchedrov MOSCOU (Reuters) - A Rússia vai parar de desenvolver algumas armas estratégicas se os Estados Unidos abandonarem os planos para um escudo antimísseis na Europa, disse na sexta-feira o comandante militar russo para mísseis estratégicos à agência Interfax.

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A declaração soa como mais um passo no sentido de uma reaproximação com Washington, mas reflete também as dificuldades russas para financiar o seu ambicioso programa militar numa época de crise econômica global.

"Se os norte-americanos abrirem mão dos planos para mobilizar a terceira região de posicionamento e outros elementos do sistema estratégico de defesa de mísseis, então certamente vamos responder adequadamente a isso", disse o general Nikolai Solovtsov.

"Simplesmente não vamos precisar de diversos programas caros", acrescentou ele, ecoando declarações prévias do Kremlin que sinalizavam uma abertura para o novo governo dos EUA, que toma posse em 20 de janeiro.

Os EUA dizem que o escudo antimísseis servirá para evitar ameaças de "Estados párias", como Irã e Coréia do Norte. Moscou afirma que a instalação de um receptor de mísseis na Polônia e de um radar na República Tcheca, a chamada "terceira região de posicionamento", seria uma ameaça à segurança nacional russa.

Caso o escudo seja instalado, o presidente Dmitry Medvedev ameaça mobilizar mísseis Iskander para a região de fronteira com a Polônia.

Medvedev e seu antecessor, Vladimir Putin, hoje primeiro-ministro, disseram no passado também que a Rússia estava projetando novas armas, inclusive foguetes estratégicos, capazes de burlar qualquer escudo antimísseis nos próximos 30 a 50 anos.

No mês passado, porém, Medvedev disse esperar que o presidente eleito dos EUA, Barack Obama, reveja os planos para o escudo antimísseis, e garantiu que não partirá da Rússia a iniciativa de mobilizar mísseis.

Medvedev deixa claro também que poderia aceitar algo se os EUA não desistissem totalmente do escudo antimísseis, desde que Washington apresentasse sólidas medidas para a construção de confiança entre as partes.

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