Rússia prende oito por sequestro naval

Por Conor Sweeney MOSCOU (Reuters) - A Rússia anunciou na terça-feira a prisão de oito pessoas que teriam sequestrado um navio mercante na costa sueca e o desviado para o Atlântico, enquanto as autoridades marítimas fingiam que o haviam perdido de vista.

Reuters |

A imprensa havia noticiado que o navio Arctic Sea, de bandeira maltesa e tripulação russa, havia desaparecido das telas de radares, e tratou o caso como um mistério marítimo. Mas a Autoridade Marítima de Malta disse na terça-feira que a embarcação "nunca desapareceu realmente".

As prisões encerram várias semanas de silêncio oficial a respeito do navio e da sua carga de 1,3 milhão de dólares em madeira, o que havia gerado especulações de que havia uma carga secreta ou envolvimento em espionagem.

"Oito pessoas - cidadãos de Estônia, Letônia e Rússia - foram detidas durante uma operação para libertar o navio", disse o ministro russo da Defesa, Anatoly Serdyukov, ao presidente Dmitry Medvedev, de acordo com declarações reproduzidas no site do Kremlin (www.kremlin.ru).

"Uma investigação estabeleceu que em 24 de julho essas pessoas abordaram o Arctic Sea e, ameaçando com armas, ordenaram à tripulação que mudasse de rota. O navio então seguiu na rota ditada pelos sequestradores na direção da África, com seu equipamento de navegação desligado", prossegue o relato.

"Tratou-se de um ato de pirataria", disse Serdyukov a jornalistas.

O navio havia oficialmente desaparecido no final de julho, depois de passar pelo canal da Mancha na direção do Atlântico. O contato por rádio foi perdido, e a carga, que era esperada em 4 de agosto no porto argelino de Bejaia, não foi entregue.

A pirataria em águas europeias é quase sem precedentes nos tempos modernos. Atualmente, há uma onda de pirataria na costa da Somália, no oceano Índico.

O embaixador da Rússia junto à Otan, Dmitry Rogozin, disse a TVs russas que "foi uma operação brilhante, com a desinformação usada intencionalmente a fim de não atrapalhar o trabalho dos militares".

"A Otan não participou da operação, mas ajudou a localizar o paradeiro do navio", acrescentou ele, sem entrar em detalhes.

A Autoridade Marítima de Malta disse que "os movimentos do Arctic Sea foram sempre conhecidos durante vários dias, a despeito dos relatos de que o navio havia desaparecido."

"Houve consenso entre as autoridades investigativas de Finlândia (porto de origem), Malta e Suécia (área onde o sequestro ocorreu) para não divulgar qualquer informação delicada a fim de não ameaçar a vida e a segurança das pessoas a bordo e a integridade do navio", afirmou a Autoridade Marítima de Malta.

Segundo autoridades cabo-verdianas, os tripulantes seriam levados ainda na terça-feira para a ilha do Sal, e lá embarcariam em um avião para a Rússia. A TV russa informou que os marinheiros viajarão para a cidade portuária de Arkhangelsk, no noroeste russo, e de lá será enviada uma tripulação substituta para Cabo Verde.

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