Rússia planeja transferir parte de frota para a Abkházia

Moscou, 13 nov (EFE).- A Rússia pretende transferir parte da frota do Mar Negro para a região separatista da Abkházia, anunciou hoje Vladimir Komoedov, general e deputado da Duma (Câmara Baixa da Rússia).

EFE |

"Estamos estudando a construção de uma base naval para a frota na Abkházia", afirmou Komoedov, antigo comandante da frota do Mar Negro, citado pelas agências russas.

Komoedov deu estas declarações após participar de uma reunião a portas fechadas do comitê de Defesa da Duma na qual também esteve presente o chefe do Estado-Maior do Exército russo, Nikolai Makarov.

Os navios da frota do Mar Negro se localizariam na base naval de Ochamchira, na Abkházia.

As autoridades separatistas informaram que habilitarão a base de Ochamchira e também o aeroporto de Gudauta, ambas instalações militares da época soviética, para acolher tropas regulares russas.

O posicionamento dessas tropas começou em 11 de outubro, no dia seguinte às forças de paz russas abandonarem definitivamente a faixa de segurança que separava a Abkházia e a outra região separatista, a Ossétia do Sul, do território administrado por Tbilisi.

Em princípio, a frota russa do Mar Negro deve abandonar sua base atual - o porto ucraniano de Sebastopol (na península da Criméia) - em 2017, quando expira o contrato assinado por Moscou e Kiev em 1996.

Até agora, a Ucrânia rejeitou todas as propostas apresentadas pela Rússia para prolongar o acordo.

A própria primeira-ministra do país, Yulia Timoshenko, afirmou em sua última visita a Moscou que a partir de 2017 "a Ucrânia deve ficar livre de qualquer base militar (estrangeira)".

No início de setembro, a Rússia obteve um acordo com as autoridades da Abkházia e da Ossétia do Sul para o desdobramento de 3.800 soldados russos em cada um dos territórios separatistas georgianos.

O secretário-geral da Organização do Tratado do Atlântico Norte (Otan), Jaap de Hoop Scheffer, qualificou de "inaceitável" a decisão russa de desdobrar tropas de maneira permanente nessas regiões.

Scheffer considera que o acordo de desdobramento de tropas russas supõe uma violação do acordo europeu de cessar-fogo, que estipula que estas devem retornar às posições anteriores à eclosão do conflito na Ossétia do Sul, em 8 de agosto.EFE io/ab/jp

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