Por Aydar Buribaev MOSCOU (Reuters) - Monitores da Organização para Segurança e Cooperação na Europa (OSCE) somente podem patrulhar a Geórgia no ano que vem se o seu mandato for modificado para levar em conta as preocupações de Moscou, disse nesta terça-feira o ministro de Relações Exteriores russo, Sergei Lavrov.

A OSCE informou na segunda-feira que iria começar a desmantelar sua missão na Geórgia em 1o de janeiro, depois de a Rússia ter recusado prorrogar o atual mandato por causa de divergências sobre o status da Ossétia do Sul, região separatista da Geórgia que tem o apoio de Moscou.

"O mandato não pode funcionar, nem no senso prático nem legal", disse o chanceler Lavrov. Países ocidentais dizem que os monitores da OSCE que patrulham a zona conflitiva da Geórgia com a Ossétia do Sul podem alertar com antecedência sobre qualquer nova irrupção de hostilidades e investigar acusações de violações de direitos humanos contra moradores de etnia georgiana.

Lavrov disse em uma coletiva de imprensa que a Rússia havia apresentado um esboço para um novo mandato da OSCE - principal organização da Europa encarregada da supervisão da democracia e dos direitos humanos - e que agora cabe aos outros membros da entidade aprová-lo.

O mandato dos monitores da OSCE expira em 31 de dezembro. As propostas da Rússia para um novo mandato caíram num impasse porque o governo russo diz que a organização tem de reconhecer a Ossétia do Sul como um Estado independente - status que somente a Rússia e a Nicarágua reconheceram.

A Grã-Bretanha, um dos países europeus mais críticos das ações da Rússia na Geórgia, disse que consideraria Moscou especialmente responsável pela segurança na zona de conflito depois que o país bloqueou o trabalho dos monitores da OSCE.

"A Rússia se isolou nessa questão", disse o ministro de Relações Exteriores britânico, David Miliband, em um comunicado.

(Reportagem adicional de Niko Mchedlishvili em Tbilisi e Adrian Croft em Londres)

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