Rússia nega que venderá defesa aérea a áreas problemáticas

Por Guy Faulconbridge MOSCOU (Reuters) - Depois de o primeiro-ministro de Israel, Ehud Olmert, tentar obter uma promessa da Rússia sobre não vender armas avançadas ao Irã, o governo russo negou na quinta-feira que pretenda fornecer sistemas de defesa aérea para regiões problemáticas.

Reuters |

Questionado sobre se o governo russo havia prometido entregar sistemas de defesa S-300 ao Irã, um porta-voz do Ministério das Relações Exteriores da Rússia respondeu: "Já dissemos várias vezes, nos mais altos escalões políticos, que não pretendemos fornecer esse tipo de arma para países localizados em regiões problemáticas."

Reportagens divulgadas por meios de comunicação nos últimos meses, citando membros de agências de segurança, afirmaram que a Rússia poderia vender ao Irã sistemas de míssil S-300, de defesa antiaérea, uma arma que ajudaria os iranianos a afastar um eventual ataque lançado por Israel ou pelos EUA.

"Posso dizer-lhes que as perguntas sobre a aquisição de certos tipos russos de arma podem ser levantadas por um país ou outro, mas que a decisão (sobre vender ou não) é tomada nos mais altos escalões do governo", afirmou a jornalistas o porta-voz Andrei Nesterenko.

Decisões dessa alçada tomavam-se "baseadas na necessidade de preservar o equilíbrio de forças no local de onde vem o pedido e a necessidade de preservar a estabilidade e a segurança", afirmou.

Não é a primeira vez que a Rússia nega ter planos de vender os S-300 ao Irã, mas membros das forças de segurança de Israel disseram à Reuters neste mês que o governo russo discutia o negócio com os iranianos.

A versão mais avançada do sistema S-300 consegue rastrear e disparar contra aviões localizados a 120 quilômetros de distância. No Ocidente, o sistema é chamado de SA-20.

Israel, os EUA e outros países acusam o Irã de tentar desenvolver armas nucleares, usando como disfarce um programa civil de energia atômica. O país islâmico nega tais acusações.

O presidente dos EUA, George W. Bush, recusou-se a descartar a possibilidade de usar a força contra o Irã, apesar de afirmar estar comprometido com resolver o impasse por meio da diplomacia.

Dentro da Organização das Nações Unidas (ONU), a Rússia cooperou com países do Ocidente para pressionar os iranianos a acatarem a exigência de suspender seu programa nuclear. O governo russo, no entanto, bloqueou as tentativas feitas pelo bloco ocidental de impor mais sanções contra o Irã.

A Rússia mantém fortes laços econômicos com os iranianos, entre os quais negócios no setor energético (incluindo um contrato avaliado em 1 bilhão de dólares e que prevê a construção da primeira usina nuclear do Irã, em Bushehr, no golfo Pérsico).

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