Segundo premiê russo, autoridades não podem arriscar saúde de população; oficiais afirmam haver sinais de que surto perde força

Carregamento de pepinos espanhóis produzidos em Torremolinos, no sul da Espanha
AP
Carregamento de pepinos espanhóis produzidos em Torremolinos, no sul da Espanha
O primeiro-ministro russo, Vladimir Putin, defendeu nesta sexta-feira a proibição à importação de vegetais de toda a União Europeia (UE) depois do surto de infecção da E. coli, afirmando que o governo deve proteger sua população.

A UE reagiu ao banimento russo dizendo que ele é desproporcional. Nesta sexta-feira, Putin rejeitou a alegação do bloco europeu, dizendo que autoridades russas não podem arriscar a saúde da população permitindo importação de vegetais da UE quando autoridades nos países afetados fracassaram em determinar a causa do surto , que até agora deixou 18 mortos.

Inicialmente, as autoridades alemãs haviam apontado pepinos importados da Espanha como foco do surto, mas depois descartaram a possibilidade. Inicialmente, a Rússia proibiu importações da Alemanha e da Espanha, mas na quinta-feira estendeu o banimento para toda a UE.

"A Rússia quer, e espero que consiga, aderir à OMC em um futuro próximo", declarou Valenzuela em Moscou. "Um dos aspectos da entrada da Rússia na OMC é respeitar uma série de regras, mas a proibição adotada pelas autoridades da Rússia não respeita essas regras", disse. A Rússia é a última grande potência econômica que não integra a OMC.

Como a suspeita inicial contra os pepinos espanhóis prejudicou as exportações do país, o governo espanhol anunciou na quinta-feira que pedirá " ressarcimento dos danos " causados pelo "erro clamoroso" da Alemanha.

Na quinta-feira, o chefe de governo espanhol, José Luis Zapatero, se reuniu com a chanceler alemã, Angela Merkel, que prometeu "que a Alemanha estudará formas para indenizar os agricultores afetados".

Nesta sexta-feira, o primeiro vice-presidente do governo espanhol , Alfredo Pérez Rubalcaba, afirmou que a Espanha centrará na União Europeia a "exigência de indenizações" ao setor hortifrutigranjeiro pelas perdas geradas após os pepinos espanhóis terem sido responsabilizados pelo surto na Alemanha.

Rubalcaba pediu à União Europeia que assuma a responsabilidade no assunto relativo à contaminação, que se transformou em um problema de saúde pública comunitária. “O governo reclamará à UE que assuma a liderança sobre esse assunto”, explicou Rubalca. “Trata-se de um assunto europeu com componente sanitário e comercial preocupante, e se trata de uma responsabilidade que cabe à Europa sufragar”.

Aumento do número de casos

Quase 200 novos casos da infecção por E. coli foram registrados na Alemanha nos primeiros dois dias de junho, disse nesta sexta-feira o centro nacional de doença, mas autoridades afirmaram haver sinais de que o surto bacteriano europeu pode estar perdendo força.

"O número de novas infecções parece ter estabilizado", afirma o professor Reinhard Brunkhorst, presidente da Sociedade Alemã de Nefrologia e diretor do Hospital Universitário de Hannover, onde várias mortes foram registradas.

Na quinta-feira, a Organização Mundial de Saúde (OMS) classificou a cepa da E. coli como " nunca vista antes em uma epidemia ".

Uma empresa particular chinesa da área da genética que trabalha com o Centro Hospitalar Universitário de Eppendorf, em Hamburgo, e um laboratório californiano afirmaram na quinta-feira que essa bactéria é um híbrido que traz genes de dois diferentes tipos de E. coli, algo nunca visto antes. "Ela se apresenta resistente aos antibióticos e por isso é extremamente difícil tratá-la", afirmaram.

O Instituto Robert Koch anunciou que agora há 1.733 pessoas na Alemanha - o epicentro do surto - que ficaram doentes, incluindo 520 sofrendo da complicação da síndrome hemolítico-urêmica (SHE), que pode causar falência renal.

Até agora, 13 países - Alemanha, Áustria, República Checa, Dinamarca, Finlândia, França, Holanda, Noruega, Espanha, Suécia, Suíça, Reino Unido e Estados Unidos - registraram casos de infecção pela bactéria, que provoca hemorragias no sistema digestivo e, nos casos mais graves, transtornos renais. Todos os casos estão relacionados à Alemanha, onde 17 pessoas morreram. A outra morte aconteceu na Suécia.

Apesar de descartada a contaminação pelos pepinos espanhóis, a UE acredita que os prejuízos para a agricultura do país são irreversíveis. Por precaução, o Instituto Robert Koch continua recomendando aos consumidores evitarem as verduras cruas, qualquer que seja sua origem.

*Com AP, EFE e AFP

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