Rússia manda parar guerra na Geórgia

Por Michael Stott e Margarita Antidze MOSCOU/TBILISI (Reuters) - O presidente russo, Dmitry Medvedev, ordenou na terça-feira a suspensão das operações militares na Geórgia, argumentando que os objetivos da guerra haviam sido alcançados.

Reuters |

Pouco antes de discutir a situação no Kremlin com o presidente da França, Nicolas Sarkozy, Medvedev deu ordens ao ministro da Defesa, Anatoly Serdyukov, para 'parar a operação para forçar as autoridades georgianas à paz'.

'O objetivo da operação foi alcançado', disse Medvedev pela TV. 'O agressor foi punido e sofreu perdas muito consideráveis.'

Na quinta-feira passada, a Geórgia, aliada incondicional dos EUA, ocupou a província separatista da Ossétia do Sul para tentar retomar seu controle --a região goza de autonomia desde a década de 1990, sob proteção russa.

Moscou reagiu à operação georgiana enviando tropas para o país vizinho.

Os mercados financeiros reagiram positivamente às declarações de Medvedev. A Bolsa de Moscou subiu, e o rublo se valorizou.

O primeiro-ministro da Geórgia, Lado Gurgenidze, disse à Reuters que os russos ainda precisam comprovar o cessar-fogo.

Ele afirmou que seu país continuará 'preparado para tudo' até que Moscou assine um tratado de paz formal.

Chegando ao Kremlin para o encontro, Sarkozy disse que a suspensão dos combates foi 'uma boa notícia'. 'Um cessar-fogo agora tem de tomar forma. Precisamos preparar um rápido calendário para que cada lado possa voltar às posições de antes da crise.'

Medvedev estabeleceu duas condições para a resolução total do conflito: que as tropas georgianas voltem às posições iniciais, desmilitarizando-se parcialmente, e se comprometam a não usar a força. Não está claro se Tbilisi aceitaria tais condições.

O chanceler russo, Sergei Lavrov, havia dito antes que não aceitaria a presença georgiana numa futura força de paz, já que os soldados de Tbilisi haviam atacado colegas russos durante a tentativa de ocupar a Ossétia do Sul na semana passada.

Lavrov rejeitou as acusações norte-americanas e georgianas de que Moscou estaria tentando derrubar o governo vizinho, mas disse: 'Seria melhor se o (o presidente Mikheil Saakashvili) saísse.'

Na Geórgia, cinco civis morreram em explosões na terça-feira na cidade de Gori, segundo um correspondente da Reuters. Um analista disse, vendo imagens de TV, que as explosões provavelmente foram provocadas por morteiros, de origem não-identificada.

A emissora RTL disse posteriormente que um cinegrafista holandês morreu e um correspondente ficou ferido.

(Reportagem adicional de Guy Faulconbridge, Oleg Shchedrov e Simon Shuster em Moscou, James Kilner em Tbilisi, Matt Robinson em Gori)

    Leia tudo sobre: iG

    Notícias Relacionadas


      Mais destaques

      Destaques da home iG