Rússia liberta opositores presos em protestos contra eleição

Detidos por liderarem manifestações pós-votação, Alexei Navalny e Ilya Yashim passaram 15 dias na prisão

iG São Paulo |

Dois lideres da oposição na Rússia foram soltos nesta quarta-feira após passarem 15 dias na prisão por liderarem protestos que reuniram milhares contra supostas irregularidas nas eleições parlamentares do país.

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AP
Líder opositor russo Alexei Navalny deixa a prisão em Moscou
O advogado e blogueiro Alexei Navalny e o dirigente do movimento liberal Solidarnost, Ilya Yashim, foram presos em 5 de dezembro, durante um protesto contra as eleições parlamentares realizadas na véspera. O ato, liderado por Navalny e Yashim, reuniu mais de 5 mil manifestantes

“O que aconteceu foi extraordinário”, disse Navalny ao deixar a prisão em Moscou. “Fomos presos em um país e estamos sendo libertados em outro.” O blogueiro deve participar de um novo megaprotesto, convocado para sábado.

Nas eleições do dia 4, o partido Rússia Unida, do primeiro-ministro russo, Vladimir Putin, conseguiu cerca de 50% dos votos, forte queda em relação aos 64% obtidos na eleição de 2007.

Todos os setores opositores e observadores internacionais foram unânimes ao denunciar graves irregularidades na votação. As autoridades russas, por sua parte, dizem que a votação foi perfeitamente livres e justas e rejeitam todas as acusações de fraude.

Navalny, 35 anos, conseguiu ficar famoso na limitada blogosfera russa. Depois das eleições parlamentares, ele usou seu Twitter e seu blog para chamar "nacionalistas, liberais, esquerdistas, verdes, vegetarianos, marcianos" para protestar contra irregularidades na votação.

Há cinco anos ele deixou o partido liberal Yabloko, frustrado com brigas internas entre os liberais e o isolamento da opinião pública russa. Os liberais, por sua vez, têm profundas reservas quanto a ele, porque defende pontos de vista nacionalistas. Ele já apareceu como orador ao lado de neonazistas e skinheads e chegou a estrelar um vídeo no qual compara os militantes do Cáucaso a baratas. Enquanto as baratas podem ser mortas com um chinelo, diz ele, no caso dos seres humanos "recomendo uma pistola."

Mas o que atrai as pessoas para Navalny não é a ideologia, mas, sim, o desafio confiante que ele faz ao sistema. Advogado imobiliário por formação, ele usa dados - em seus sites, documenta o roubo em empresas estatais - e um desprezo implacável contra o governo. Ele projeta uma serena confiança de que os eventos estão convergindo – lenta, mas seguramente - contra o Kremlin.

"A revolução é inevitável", disse ele à edição russa da revista Esquire, em entrevista publicada este mês. "Simplesmente porque a maioria das pessoas entende que o sistema está errado."

Ele foi menos definitivo sobre o futuro que imagina para o país, dizendo apenas que espera que seja algo que "se assemelhe a um enorme, irracional e metafísico Canadá."

Com EFE , AFP e The New York Times

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