Rússia lembra vitória no conflito com a Geórgia pela Ossétia do Sul

Moscou, 8 ago (EFE).- A Rússia lembrou hoje com diversos atos a vitória no conflito com a Geórgia de um ano atrás, e defendeu a decisão de intervir na região separatista georgiana da Ossétia do Sul para proteger a população civil.

EFE |

Os atos em lembrança do confronto começaram pouco antes da meia-noite, a mesma hora que as tropas georgianas lançaram os bombardeios contra a capital da Ossétia do Sul, Tskhinvali, com uma grande cerimônia junto à Catedral de Cristo Salvador de Moscou.

Oito mil ativistas de organizações juvenis governistas se reuniram com velas em frente ao templo para denunciar a "agressão" georgiana e elogiar a decisão do Kremlin de invadir a Geórgia e de reconhecer a independência das regiões separatistas Ossétia do Sul e Abkházia.

Na mesma hora, centenas de habitantes de Tskhinvali se reuniram na praça central em um ato chamado "Vela da memória" para lembrar as vítimas do ataque à cidade e do conflito entre os dois países: 67 militares russos e 162 civis da Ossétia do Sul.

"O objetivo da operação (georgiana) era exterminar e expulsar nosso povo, mas as tropas russas chegaram a tempo de nos defender e de repelir o inimigo", declarou o líder da Ossétia do Sul, Eduard Kokoiti.

Nas igrejas da Rússia e da Ossétia foram oficiadas missas em memória dos mortos, e em Tskhinvali foi inaugurado um "museu do genocídio", como o Kremlin qualificou o ataque da Geórgia, apesar de o país ter sido justamente o que teve mais vítimas na disputa: 170 militares, 11 policiais e 219 civis.

O confronto deixou também quase 200 mil deslocados, dos quais 30 mil, em sua maioria georgianos da Ossétia, seguem sem poder voltar a suas casas.

No aniversário do conflito, o presidente russo, Dmitri Medvedev, justificou sua ordem de invadir a Geórgia com a necessidade de salvar do extermínio os habitantes das regiões separatistas, aos quais a Rússia anteriormente tinha concedido nacionalidade russa.

"Agimos acertadamente. Não me envergonho disso. As decisões foram efetivas. E, o mais importante, salvamos a vida de muitas pessoas. A Rússia se comportou com honestidade e responsabilidade. Esse foi um período muito importante para nosso país", disse na véspera.

Medvedev também defendeu, em mensagem ao presidente francês, Nicolas Sarkozy, a decisão de reconhecer a independência da Ossétia do Sul e da Abkházia, e alegou supostos planos revanchistas de Tbilisi como razão para ter desdobrado tropas russas nas duas regiões georgianas.

"Gera grave preocupação a atitude da Geórgia, desde as incessantes ameaças de restabelecer à força sua 'integridade territorial' e a retórica belicista diária, até a concentração de tropas nas fronteiras com a Ossétia do Sul e a Abkházia e as sérias provocações nas zonas limítrofes", afirmou o chefe do Kremlin.

A Rússia afirma que seu Exército entrou na Geórgia depois do ataque georgiano a Tskhinvali para defender seus "cidadãos" e as forças de paz russas instaladas na Ossétia do Sul desde a guerra de secessão, no início da década de 1990.

O Governo russo afirma que lançou uma "operação de imposição da paz" para evitar o "genocídio" do povo da Ossétia do Sul autorizado por um Saakashvili desafiante pelo apoio que recebia dos Estados Unidos e da Organização do Tratado do Atlântico Norte (Otan) na disputa com a Rússia.

O Ministério da Defesa russo qualificou de "falsa" a denúncia da Geórgia de que 150 tanques e blindados russos entraram na Ossétia na manhã de 7 de agosto, 20 horas antes do ataque georgiano a Tskhinvali, lançado para impedir uma ocupação já em andamento.

Tbilisi também afirma que esta "agressão" russa foi coordenada com os ataques que as forças da Ossétia do Sul tinham lançado desde 5 de agosto contra as localidades georgianas da região, provocando, assim, a resposta das tropas da Geórgia.

A Promotoria russa afirma que reuniu 380 páginas de materiais que "demonstram os crimes dos dirigentes georgianos", suficientes para julgá-los em um tribunal penal internacional.

Segundo duas pesquisas divulgadas pela ocasião, de 67% a 71% dos russos acreditam que o país atuou certo ao invadir a Geórgia, e mais da metade apoia o desdobramento de bases nas duas regiões georgianas.

A vitória de sua primeira intervenção militar no espaço pós-soviético custou caro à Rússia, pois assustou os vizinhos do país e prejudicou suas relações com o Ocidente, que se recusa a reconhecer o direito de Moscou de mandar em seu "quintal de trás".

A própria imprensa russa denuncia que, após um ano, a Ossétia do Sul ainda está devastada, apesar de a Rússia ter dado à região 10 bilhões de rublos (220 milhões de euros), que desapareceram, já que os dirigentes separatistas não permitem que o Governo russo controle seus gastos. EFE si/db

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