Rússia ficará na Geórgia pelo tempo necessário, diz chanceler

O ministro das Relações Exteriores da Rússia, Sergei Lavrov, disse neste sábado que as tropas russas irão permanecer no território da Geórgia pelo tempo que for necessário, até que medidas adicionais de segurança sejam tomadas. Lavrov não especificou quais seriam essas medidas, mas disse que elas são necessárias já que a Geórgia continua causando problemas na região.

BBC Brasil |

A declaração do chanceler russo foi feita apesar de a Rússia ter assinado um acordo para encerrar o conflito com a Geórgia em que se compromete em retirar as tropas do país.

O plano de paz, assinado pelo presidente russo Dmitry Medvedev, tem seis pontos e foi proposto presidente da França, Nicolas Sarkozy, que hoje encabeça a Presidência rotativa da União Européia.

O presidente da Geórgia, Mikhail Saakashvili, havia assinado o acordo já na sexta-feira, mas afirmou que o plano não é "uma solução permanente" para o conflito.

"Tenho de especificar que este não é um acordo de cessar-fogo, não é uma solução final. Estamos sob invasão russa e ocupação russa neste momento. E queremos encerrar a invasão e ocupação russa", disse o presidente georgiano.

O acordo prevê que os dois lados encerrem as atividades militares e retornem às suas posições originais de antes do início do conflito.

Presença russa
Correspondentes da BBC na Geórgia disseram que não há sinais de que os Russos estão se retirando do território georgiano e sim do contrário.

Soldados russos agora estariam em controle de quase a totalidade da principal estrada que leva a capital da Geórgia, Tbilisi, à costa do Mar Negro, a oeste.

O correspondente da BBC Richard Galpin, que viajou pela estrada, disse que apenas faltando 30 km para se chegar a Tbilisi é que não havia sinais da presença russa.

Em um vilarejo, um soldado russo disse à BBC que ele pensava que seu destino final na missão na Geórgia seria Tbilisi - algo que o Kremlin nega.

Outro disse que acredita que as forças russas irão permanecer na Geórgia por até um ano.

Além dos avanços, os russos continuam controlando a cidade estratégica de Gori, fora da Ossétia do Sul e a 70 km de Tbilisi, depois que uma tentativa de patrulhamento conjunto com a polícia georgiana fracassou.

EUA
Também neste sábado, presidente americano George W. Bush afirmou que a assinatura de um acordo de cessar-fogo entre Rússia e da Geórgia trouxe "esperança" para a resolução dos conflitos.

Segundo ele, a Rússia deve honrar o acordo e retirar suas tropas da Geórgia.

Bush afirmou ainda que as províncias separatistas de Ossétia do Sul e a Abecásia são parte da Geórgia e que "não há espaço para debate" nesse assunto.

O presidente americano fez as declarações de seu rancho no Texas depois de uma videoconferência com sua equipe de segurança nacional.

Na sexta-feira, Bush acusou a Rússia de "ameaçar e intimidar" a Geórgia. Segundo ele, a ofensiva militar em território georgiano era "completamente inaceitável".

O conflito entre Rússia e Geórgia começou em oito de agosto, quando a Rússia enviou tropas para a Ossétia do Sul, que um dia antes havia sido invadida pelo Exército da Geórgia.

A Rússia argumentou na ocasião ter enviado as tropas para conter a violência dos soldados georgianos contra a população local.

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