Rússia expressa preocupação com hegemonia militar dos EUA

Moscou, 25 dez (EFE).- As ambições de hegemonia militar dos Estados Unidos continuarão sendo a principal ameaça para a segurança da Rússia na próxima década, afirma a nova estratégia de defesa que o Kremlin lançará em 2009.

EFE |

"A ameaça para a segurança militar russa é a política de certas potências que buscam conseguir a hegemonia militar, em particular no terreno dos arsenais nucleares, a criação de sistemas globais antimísseis e a militarização do espaço", afirma a estratégia recolhida hoje pelo jornal "Kommersant".

O secretário do Conselho de Segurança da Rússia, Nikolai Patrushev, anunciou hoje que a nova estratégia de segurança nacional da Rússia até 2020 será aprovada no primeiro trimestre do próximo ano, segundo as agências russas.

Segundo o jornal, o documento será feito em 20 de fevereiro, exatamente um mês depois da posse do presidente americano Barack Obama.

A Rússia considera que os planos americanos de desdobrar componentes de seu sistema de Defesa Nacional contra mísseis no Leste Europeu "romperão o equilíbrio de forças no continente".

O documento qualifica de "inaceitável" os planos da Organização do Tratado do Atlântico Norte (Otan) de "ampliar sua infra-estrutura até as fronteiras da Rússia" e de se transformar em "uma organização global em contradição com o direito internacional".

Além disso, prevê que "a atenção mundial se centrará no acesso aos recursos energéticos no Oriente Médio, ao mar de Barents, à região do Ártico, aos mares Cáspio e da Ásia Central".

"Alguns poderiam tentar resolver os problemas recorrendo à força militar e romper o equilíbrio de forças perto das fronteiras da Rússia e de seus aliados, aumentando o número de países com armamento nuclear", destacou.

Em qualquer caso, a nova estratégia de segurança ressalta que a Rússia conduzirá uma "política externa pragmática, descartando um confronto caro, incluindo uma guerra de armamento".

O documento também indica que a Rússia está disposta a cooperar com Washington em diferentes terrenos, mas sempre partindo de "um plano de igualdade na defesa dos interesses comuns".

A prioridade da diplomacia russa, segundo o plano, serão as relações com seus vizinhos, ou seja, os países-membros da Comunidade dos Estados Independentes (CEI) e da Organização do Tratado de Segurança Coletivo (OTSC).

A aliança militar pós-soviética OTSC "será o principal instrumento de resposta às ameaças e desafios políticos e militares", afirmou.

Também antecipa a criação de um "sistema nacional de resposta ao terrorismo internacional, ao extremismo, ao nacionalismo e ao separatismo".

"A Rússia superou as conseqüências da crise do sistema político e socioeconômico de finais do século XX -a queda da União Soviética", afirmou.

E acrescenta que o país está disposto a "defender seus interesses nacionais na qualidade de ator de relações internacionais multipolares".

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