Rússia exige fechamento do TPII após absolvição de comandante bósnio

Moscou, 10 jul (EFE).- A Rússia exigiu hoje o fechamento do Tribunal Penal Internacional para a Antiga Iugoslávia (TPII) por causa da absolvição do ex-comandante muçulmano bósnio Naser Oric, considerado pela Sérvia e pelo país como um criminoso de guerra.

EFE |

"Essa sentença é uma nova prova da falta de objetividade no trabalho do Tribunal, que mostra uma atitude parcial para alguns acusados, e condescendência para outros participantes do conflito na antiga Iugoslávia", declarou o Ministério de Exteriores russo.

Andrei Nesterenko, porta-voz da Chancelaria, acusou o Tribunal de "cumprir incumbências políticas, em vez de exercer a justiça", e afirmou que o veredito da corte "demonstra mais uma vez a necessidade de pôr fim o mais rápido possível a seu funcionamento".

O diplomata russo disse que Oric é um "criminoso de guerra que, durante o conflito armado de 1992-1995 na Bósnia-Herzegovina, comandou o assassinato de três mil civis sérvios próximo a Srebrenica".

Em Moscou, causou "perplexidade" o fato de que "o Tribunal não só não endureceu o veredito, leve sem precedentes, que foi emitido em junho de 2006, mas, pelo contrário, absolveu ao acusado", diz o comunicado publicado no site da Chancelaria.

A nota lembra ainda que Oric, ao contrário de outros acusados, não se entregou voluntariamente ao TPII, mas foi detido e conduzido ao Tribunal, com sede em Haia, pelas Forças de Estabilização internacionais".

A Câmara de Apelação do TPII absolveu no último dia 3 de julho Oric, ex-comandante das forças muçulmanas de Srebrenica, de crimes de guerra contra sérvios durante a guerra civil bósnia (1992-1995).

A decisão anulou a sentença de dois anos de prisão ditada em primeira instância em 2006, quando Oric foi considerado culpado de não ter tomado medidas para impedir assassinatos e maus-tratos de civis sérvios em 1991 e 1993 em Srebrenica, no leste da Bósnia.

O primeiro-ministro sérvio, Vojislav Kostunica, declarou, após conhecer a sentença, que, com a absolvição de Oric, o TPII "perdeu toda legitimidade" e "se transformou em cúmplice em crimes de guerra". EFE si/rb/db

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