Rússia exige apoio dos EUA em novo acordo sobre clima

Por Janet McBride NOVO-OGARYOVO, Rússia (Reuters) - O primeiro-ministro russo, Vladimir Putin, disse nesta sexta-feira que rejeitará qualquer novo pacto sobre mudança climática que imponha restrições à Rússia, mas que não restrinja outros grandes poluidores, como Estados Unidos ou China.

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A dura mensagem de Putin indica as dificuldades enfrentadas pelos negociadores de quase 200 países que trabalham nos detalhes de um novo pacto para combater o aquecimento global, a ser selado antes do prazo estabelecido para dezembro.

O esforço para se chegar a um acordo sobre um novo pacto climático apoiado pela Organização das Nações Unidas (ONU) até o fim deste ano já é considerado ameaçado por alguns países. Os líderes mundiais tentarão reviver as negociações em uma cúpula da ONU em Nova York em 22 de setembro.

"Nós ratificamos o protocolo de Kyoto, mesmo embora alguns colegas tenham tentado nos persuadir de que ele era perigoso para a economia da Rússia", afirmou Putin.

"Outros países não o aprovaram e são poluidores muito maiores -- os Estados Unidos", disse Putin ao grupo de acadêmicos e jornalistas de Valdai em sua residência de Novo-Ogaryovo, nos arredores de Moscou.

TERCEIRO MAIOR

Depois de uma forte queda nas emissões com o fim da União Soviética, em 1991, a retomada industrial da Rússia manteve o país como o terceiro maior poluidor do mundo, atrás da China e dos EUA.

A Rússia propôs cortar suas emissões de gases-estufa em 10 a 15 por cento abaixo dos níveis de 1990 até 2020, mas as emissões do país já estavam 34 por cento abaixo dos níveis de 1990 em 2007, último ano com dados disponíveis.

Putin afirmou que o problema climático poderá ser solucionado apenas em escala global, com todos compartilhando o ônus.

"Os Estados Unidos e a China são importantes economias e importantes poluidores. Será que deveríamos restringir o nosso desenvolvimento por causa deles? Nós não concordamos com uma abordagem que permita a exclusão de alguns países."

Grupos ambientalistas e países em desenvolvimento querem que as nações industrializadas reduzam suas emissões em 25 a 40 por cento abaixo dos níveis de 1990, citando uma faixa de cortes sugerida por um painel da ONU composto por cientistas especializados em clima.

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