Rússia está decepcionada com decisão de Pyongyang de deter desnuclearização

Moscou, 27 ago (EFE).- A Rússia recebeu hoje com decepção e preocupação a decisão da Coréia do Norte de interromper seu processo de desnuclearização, mas respaldou a argumentação de Pyongyang, que responsabiliza os Estados Unidos pela atitude do regime comunista.

EFE |

"A decisão da Coréia do Norte de suspender o desmantelamento das instalações nucleares em Yongbyon e de estudar a possibilidade de reativá-las nos causa decepção e preocupação", declarou o Ministério de Assuntos Exteriores russo em comunicado.

A nota destaca que, "no processo de desnuclearização da Coréia do Norte, surge de fato outra pausa indesejável e infelizmente se vislumbra a possibilidade de voltar atrás".

Ao anunciar sua decisão, Pyongyang disse que sua atitude é uma resposta à recusa dos EUA de retirarem a Coréia do Norte da lista de países terroristas se não cumprir antes seus compromissos de desnuclearização, medida que o regime comunista considera uma "clara violação" do acordo que iniciou o processo.

Moscou apoiou veladamente este argumento, ao ressaltar que tinha sido acordado nas negociações multilaterais que cada passo da Coréia do Norte para renunciar a seu potencial nuclear seria correspondido por seus interlocutores com "medidas políticas e econômicas construtivas de resposta para prestar assistência a Pyongyang".

"A Rússia cumpre plenamente seus compromissos, e queríamos que os outros membros agissem da mesma maneira confiável e conseqüente", destacou a Chancelaria russa ao se referir principalmente aos EUA, principal adversário da Coréia do Norte nesse diálogo multilateral, no qual também participam a China, a Coréia do Sul e o Japão.

Enquanto isso, alguns veículos da imprensa russa vincularam o gesto da Coréia do Norte com a decisão de Moscou de reconhecer a independência das regiões separatistas georgianas da Abkházia e da Ossétia do Sul, em um claro novo desafio ao Ocidente.

"Segundo alguns analistas, os passos de Moscou, que optou pelo confronto com Washington e com todo o mundo ocidental, impressionaram enormemente Pyongyang e sugeriram esse modelo de conduta", comentou hoje o jornal de economia russo "Kommersant".

O jornal disse que as instalações nucleares norte-coreanas não podem ser mais reativadas, mas destacou que Pyongyang não precisaria fazer isso para pressionar o Ocidente, pois teve tempo de produzir plutônio suficiente para fabricar dez bombas atômicas. EFE si/wr/gs

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