Rússia enfrentará maior isolamento se romper trégua, diz Rice

WASHINGTON - A secretária de Estado dos Estados Unidos, Condoleezza Rice, que irá para a capital da Geórgia, Tbilisi, ainda nesta quarta-feira, disse que a Rússia pode enfrentar um isolamento mais profundo se violar o acordo de cessar-fogo mediado pela França.

Redação com agências internacionais |

"Se de fato a Rússia estiver violando o cessar-fogo, e tenho de dizer que as informações não são animadoras sobre o respeito da Rússia ao cessar-fogo ... isso irá apenas servir para aprofundar o isolamento para o qual a Rússia se dirige", disse Rice, acrescentando que Moscou havia passado dos limites em sua resposta militar.

Rice, que concedeu uma entrevista coletiva em Washington, pediu que a Rússia interrompa "imediatamente" suas operações militares na Geórgia e que respeite a operação humanitária lançada pelos Estados Unidos.

Na semana passada, a Geórgia enviou forças militares para retomar a Ossétia do Sul, província pró-Rússia que declarou sua independência do governo georgiano na década de 1990. Moscou respondeu enviando tropas para o país.

Interferência dos EUA

O presidente dos Estados Unidos, George W. Bush, pediu nesta quarta-feira que a Rússia respeite a soberania territorial da Geórgia e que as tropas russas devem se retirar do terreno georgiano.

"Os Estados Unidos da América estão com o governo eleito democraticamente da Geórgia, e insiste que a soberania e a integridade territorial da Geórgia deve ser respeitada", afirmou Bush falando na Casa Branca.

Bush afirmou também que está enviando uma aeronave norte-americana com suprimentos humanitários à região.


Bush e Rice anunciam envio de ajuda à Geórgia / AP

A promessa de Bush de mandar ajuda à Geórgia significa que o Exército norte-americano irá assumir o controle dos portos e aeroportos do ex-Estado soviético, disse o presidente georgiano, Mikheil Saakashvili, na quarta-feira. "Vocês ouviram o discurso do presidente dos Estados Unidos, dizendo que está começando uma operação militar-humanitária na Geórgia", disse Saakashvili em um discurso televisionado.

"Isto significa que os portos e aeroportos georgianos serão controlados pelo Ministério da Defesa dos Estados Unidos, para conduzir missões humanitárias e de outros tipos. Este comunicado é muito importante para aliviar a tensão", disse.

O Pentágono, no entanto, afirmou em comunicado que não planeja assumir o controle dos portos e aeroportos da Geórgia."Nós não queremos, nem precisamos, assumir o controle de qualquer aeroporto ou porto para conduzir esta missão", disse o secretário de imprensa do Pentágono, Geoff Morrell.

Rússia desafia

O chefe da diplomacia russa, Sergei Lavrov, disse, no entanto, que os Estados Unidos devem escolher entre seu apoio ao governo da Geórgia ou a "aliança real" com a Rússia.

"Nós entendemos que a atual liderança georgiana é um projeto especial dos Estados Unidos, mas um dia os Estados Unidos terão de se decidir entre defender seu prestígio sobre um projeto virtual ou uma parceria real que requer ação conjunta", disse Sergei Lavrov a repórteres.

Ele também disse que a Rússia não vai permitir saques na Geórgia depois do conflito na região separatista georgiana da Ossétia do Sul.

Reunião na Europa

Os ministros de Exteriores dos 27 países-membros da União Européia realizam nesta quarta-feira um encontro extraordinário no qual aprovarão a trégua entre Rússia e Geórgia , acertada com a mediação da presidência francesa do bloco, e avaliarão as necessidades de ajuda humanitária para atender às vítimas do conflito.

Rússia e Geórgia aceitaram na terça-feira o plano apresentado pelo presidente francês, Nicolas Sarkozy, em nome da União Européia (UE) e que prevê o retorno das tropas russas e georgianas a suas posições anteriores ao conflito.

Sarkozy, que mediou as negociações na qualidade de presidente rotativo da UE, conseguiu o consentimento de ambos os países com o plano, após visitas a Moscou e Tbilisi, nas quais se reuniu com os presidentes russo, Dmitri Medvedev, e georgiano, Mikhail Saakashvili.

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Com AFP, EFE e Reuters

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