Rússia elogia aprovação de tratado nuclear por Congresso dos EUA

Votação em Parlamento russo está prevista para sexta-feira; após aprovação nos EUA, presidente Obama entra em férias no Havaí

iG São Paulo |

O presidente russo, Dmitri Medvedev, elogiou nesta quinta-feira a ratificação pelo Congresso dos Estados Unidos do novo Tratado de Redução de Armas Estratégicas (Start) entre os dois países e disse esperar que o Parlamento russo também aprove o pacto.

"Se as condições (aprovadas pelo Senado americano para a ratificação do Start na quarta-feira) não modificarem o texto principal do tratado, então o ratificaremos amanhã (sexta-feira)", declarou o presidente da Duma (Câmara Baixa), Boris Gryzlov. Ele acrescentou que os parlamentares esperam receber os documentos americanos de ratificação nas próximas horas.

"Partimos do princípio de que não é preciso prolongar essa questão. Mas temos a intenção de trabalhar para que não exista nenhum problema no conteúdo", disse o presidente da Comissão das Relações Exteriores da Duma, Konstantin Kosachev.

Segundo o parlamentar, 50 emendas ao texto foram propostas durante o debate do tratado no Senado americano. "Até receber o texto original, não saberemos quais delas passaram", completou.

O ministro russo das Relações Exteriores, Serguei Lavrov, saudou a ratificação do tratado pelo Senado americano, mas completou que Moscou precisa de tempo para estudar o texto antes de fazer o mesmo.

O Senado dos Estados Unidos aprovou o acordo na quarta-feira por 71 votos a 26, após várias semanas de intensas negociações em Washington entre o governo e a oposição republicana. Treze republicanos votaram a favor da ratificação, especialmente após todos os ex-secretários de Estado de ambos os partidos declararem apoio ao acordo.

O Start foi assinado em 8 de abril de 2010 pelos presidentes dos Estados Unidos, Barack Obama, e Rússia, Dmitri Medvedev, e limita as armas nucleares estratégicas - mísseis nucleares de longo alcance, entre outras - nos dois países.

Válido por um período de dez anos, o acordo prevê um máximo de 1.550 ogivas nucleares em cada um dos países, contra as 2.200 atuais, o que representa uma redução de 30%. O texto prevê também a retomada das verificações mútuas dos arsenais nucleares por parte das duas potências, que foram interrompidas no fim de 2009.

O secretário-geral da ONU, Ban Ki-moon, e o secretário-geral da Otan, Anders Fogh Rasmussen, saudaram a ratificação americana do acordo.

Obama sai de férias

Após a aprovação do tratado pelo Senado, Obama chegou na noite de quarta-feira ao Havaí, onde nasceu e cresceu, para passar o feriado de Natal com a família. A primeira-dama Michelle Obama e as filhas do casal, Sasha e Malia, já estavam no Havaí desde o fim de semana.

AP
Presidente dos EUA, Barack Obama, acena após desembarcar em Honolulu para suas férias no Havaí (22/12/2010)
Passar o Natal no Havaí é uma tradição da família Obama. Nascido em 1961, o presidente morou no longínquo Estado americano até os 18 anos, com exceção dos 6 aos 10 anos, período que passou na Indonésia.

Antes de embarcar para Honolulu, o líder americano elogiou a decisão do Senado de ratificar o Start, afirmando que o acordo é o mais importante em quase 20 anos no setor nuclear. "Esse significativo voto bipartidário no Senado manda uma importante mensagem para o mundo de que republicanos e democratas se unem em nome de nossa segurança", disse Obama.

Em um comunicado divulgado após a votação, a secretária de Estado americana, Hillary Clinton, disse que "uma parceria responsável entre as duas maiores potências nucleares do mundo que limita nossos arsenais mantendo a estabilidade estratégica é fundamental para promover a segurança global".
Segundo analistas, a ratificação vai ser vista como um trunfo de Obama na área de política exterior.

*Com AFP e BBC

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