Rússia e UE mantêm divergências sobre regulação da energia e segurança

Khabarovsk (Rússia), 22 mai (EFE).- Rússia e União Europeia (UE) evidenciaram hoje suas diferenças em assuntos como o marco regulador de suas relações energéticas e de segurança, assim como a influência sobre as antigas repúblicas soviéticas, durante uma Cúpula bilateral que serviu sobretudo para ganhar confiança mútua.

EFE |

Apesar de não ter chegado a nenhum acordo concreto, ambas as partes destacaram o caráter "estratégico" de suas relações e a importância de cúpulas como a que terminou hoje na remota cidade oriental de Khabarovsk, a 25 quilômetros da fronteira com a China.

"Conseguimos aumentar o entendimento e a confiança mútua", assegurou o presidente tcheco e de turno da UE, Vaclav Klaus.

Mas nem os russos conseguiram seu objetivo de convencer os europeus da conveniência de redigir novos acordos em energia e segurança, nem os representantes da UE desvaneceram os receios de Moscou por sua aproximação com os países do Leste.

Em matéria energética, o presidente russo, Dmitri Medvedev, afirmou que seu país "não participa nem participará da Carta da Energia em sua atual redação", ressaltando que a Rússia se pronuncia a favor da criação de uma nova base jurídica.

O presidente da Comissão Europeia (CE), José Manuel Durão Barroso, assegurou que algumas das iniciativas russas merecem a atenção de Bruxelas, mas reiterou que os europeus não querem começar do zero com o marco legal energético.

A UE fracassou em sua tentativa de convencer a Rússia de que a Associação Oriental assinada com seis países do Leste não é uma ameaça para ela.

"O que nos preocupa, o digo francamente, é que esta associação seja percebida por alguns Estados, não da UE, como uma associação contra a Rússia", disse Medvedev a respeito.

A UE assinou em março em Praga um pacto para reforçar sua cooperação com seis repúblicas da antiga União Soviética: Ucrânia, Belarus, Moldávia, Geórgia, Armênia e Azerbaijão.

O alto comissário de Política Externa e Segurança Comum da União Européia, Javier Solana, convidou Moscou a participar de algum dos projetos desta iniciativa, enquanto Barroso destacou que é uma associação a favor da "estabilidade e da prosperidade" de países que por enquanto não têm um futuro dentro da UE.

Em relação ao novo marco para a segurança proposto pela Rússia para evitar a hegemonia da Otan e a progressiva aproximação da Aliança a suas fronteiras, o presidente russo utilizou como argumento o papel da UE durante o conflito com a Geórgia, dizendo que ela tem capacidade de reação.

Todos se mostraram satisfeitos por a Cúpula ter sido realizada em Khabarovsk, a mais de seis mil quilômetros de Moscou. EFE met-egw/ma

    Leia tudo sobre: iG

    Notícias Relacionadas


      Mais destaques

      Destaques da home iG