Rússia e Ucrânia iniciam negociações para superar crise do gás

Moscou, 17 jan (EFE).- Rússia e Ucrânia iniciaram hoje as negociações diretas para superar a crise do gás que há dez dias deixa sem o combustível russo grande parte da Europa, que exige cada vez com mais determinação uma solução urgente ao corte do fornecimento.

EFE |

A primeira-ministra ucraniana, Yulia Timoshenko, chegou hoje a Moscou para se reunir com seu colega russo, Vladimir Putin, nas primeiras negociações bilaterais desde a explosão da crise, detonada pela falta de acordo nos preços do gás russo para a Ucrânia em 2009.

A Comissão Europeia (CE) tinha advertido na véspera que estas conversas são a "última oportunidade" para demonstrar a seriedade e credibilidade de Moscou e Kiev como parceiros da União Europeia (UE).

Logo após iniciada, reunião na sede do Governo russo foi interrompida para que Putin e a primeira-ministra ucraniana pudessem assistir a uma conferência internacional no Kremlin convocada pelo presidente da Rússia, Dmitri Medvedev.

O fórum, inicialmente convocado como uma cúpula de chefes de Estado e Governo dos países consumidores de gás russo, foi assistido, entre outros convidados, pelo comissário de Energia europeu, Andris Piebalgs, e o ministro da Indústria tcheco, Martin Rimam, cujo país exerce a Presidência rotativa da UE.

A conferência também teve representantes de Armênia, Belarus, Bósnia e Herzegovina, Cazaquistão, Moldávia, Sérvia, Turquia e Eslováquia.

"Tenho certeza de que em breve será resolvido não só o problema do trânsito, mas também o do fornecimento de gás à Ucrânia", disse o chefe do Kremlin em entrevista coletiva ao término da reunião.

Explicou que foram elaboradas algumas propostas que podem ser utilizadas para "conseguir acordos definitivos" sobre o trânsito do gás russo à Europa pelo território ucraniano.

Em particular, se referiu a uma garantia bancária da Ucrânia em uma entidade europeia no valor de US$ 1 bilhão, que serviria de resguardo caso o envio de gás russo não chegasse integralmente a seus destinatários europeus.

Segundo Medvedev, essa poderia ser uma alternativa à criação de um consórcio por várias companhias europeias para fornecer à Ucrânia os 21 milhões de metros cúbicos de gás diários necessários para garantir o bombeamento do combustível russo através de sua rede de gasodutos.

O chefe do Kremlin manifestou sua esperança de que Timoshenko tenha o "poder necessário para representar a Ucrânia".

"Durante uma conversa por telefone, o presidente da Ucrânia (Viktor Yushchenko) me disse que sua posição e a da primeira-ministra são idênticas. Em breve saberemos se isso é verdade", disse.

Além disso, reiterou que a Ucrânia deve pagar preços de mercado europeu pelo gás russo, cujo fornecimento foi suspenso no último dia 1º devido à falta de acordo sobre as tarifas.

"A Ucrânia pode pagar preços europeus pelo gás russo. Uma série de países cuja situação econômica é muito pior que a ucraniana paga pelo gás russo o mesmo que os consumidores europeus", insistiu Medvedev.

A Presidência tcheca de turno da UE disse que "não está satisfeita" com os resultados da conferência internacional convocada pelo presidente russo.

"Esperávamos que as duas partes anunciassem um acordo para retomar o fornecimento de gás russo à UE pela Ucrânia, e esse não foi o caso", assinalou Rimam, citado por um comunicado da Presidência tcheca.

No entanto, o ministro da Indústria tcheco destacou como "passo positivo que as duas partes tenham sido capazes de sentar em uma mesma mesa e finalmente voltar a negociar".

As conversas entre Putin e Timoshenko foram retomadas depois da conferência e, segundo o porta-voz do primeiro-ministro russo, Dmitri Peskov, se forem produtivas, não se exclui uma reunião posterior dos presidentes das companhias de gás russa Gazprom e ucraniana Naftogaz. EFE bsi/mh

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