Rússia e Otan relaxam tensões, mas deixam conflito na Geórgia em aberto

Antonio Sánchez Solís. Corfu (Grécia), 27 jun (EFE).- A Organização do Tratado do Atlântico Norte (Otan) e a Rússia deram hoje um passo adiante para moderar as frias relações existentes desde a guerra na Geórgia em agosto passado, embora sem conseguir aproximar posturas quanto ao conflito.

EFE |

Na parte positiva, os 28 ministros de Assuntos Exteriores da Otan e seu colega russo, Serguei Lavrov, fecharam um acordo hoje na ilha grega de Corfu para retomar as relações políticas e militares, congeladas desde quando a Geórgia tentou recuperar a região separatista da Ossétia do Sul e provocou uma reação militar de Moscou.

Assim, o Conselho Otan-Rússia, cujo funcionamento foi suspenso durante a guerra no Cáucaso, recuperou sua função de fórum de diálogo entre as potências ocidentais e o Kremlin.

No aspecto prático, a retomada da cooperação militar permitirá a realização de missões conjuntas na luta contra o terrorismo e o narcotráfico, e abre as portas para um maior envolvimento russo na luta que a Otan mantém contra os talibãs no Afeganistão.

Entretanto, mesmo que o acordo de hoje pretenda derrubar os muros levantados pelo conflito georgiano, o certo é que a ferida continua aberta.

O próprio secretário-geral da Otan, Jaap de Hoop Scheffer, reconheceu que "as diferenças de opinião não desapareceram" e que as posturas prosseguem tão afastadas como antes.

Lavrov aumentou o tom de suas queixas sobre o que considera como uma atitude expansionista da Otan no que disse ser esfera de influência territorial da Rússia e afirmou hoje que Moscou "não escutou nenhuma mudança de posição" dos países do órgão.

Além disso, advertiu que "todos devem aceitar a nova realidade" na região, a qual chamou de "irreversível".

Lavrov se referia ao reconhecimento russo da independência das duas repúblicas separatistas georgianas da Ossétia do Sul e da Abkházia.

Por sua parte, o subsecretário de Estado americano, James Steinberg, disse que a integridade territorial da Geórgia deve ser respeitada e que os membros da Otan "não têm a intenção de reconhecer a tentativa de estabelecer Estados separados" dentro dessa república.

Apesar de ambas as partes continuarem dando pouca atenção às negociações, Scheffer quis destacar que já não existe um "empecilho" para retomar a colaboração nas áreas de interesse comum.

Nas palavras do porta-voz da Otan, James Appathurai, o essencial da reunião de hoje é que o desacordo em relação à Geórgia "não pode influenciar cada aspecto das relações" entre a Rússia e a entidade.

"Não podemos ignorá-lo, mas não podemos deixar que isso envenene todo o resto", assegurou.

Enquanto isso, os ministros de Assuntos Exteriores dos 56 membros da Organização para a Segurança e a Cooperação na Europa (OSCE) iniciaram hoje uma cúpula de dois dias nas quais as relações entre o Ocidente e Moscou também serão protagonistas.

O objetivo do encontro é abrir um diálogo, ainda que informal, no qual a Presidência grega da OSCE abra um processo para definir uma nova estratégia de segurança na Europa.

Tal processo se faz necessário diante da queixa russa de que "não se sente satisfeita nem confortável" no atual formato da segurança na Europa, explicou à Agência Efe o secretário-geral da OSCE, Marc Perrin de Brichambaut.

De fato, como explicou o diplomata francês, a Rússia sempre defendeu que este organismo fosse o ator principal na estrutura europeia de segurança e, no sentido contrário, há uma Otan que a Rússia vê como "cada vez mais excludente", disse. EFE As-afb-jk/bba

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