Rússia e Otan abrem nova etapa de relações com compromisso sobre Afeganistão

Ignacio Ortega. Moscou, 16 dez (EFE).- Após mais de um ano de tensões devido à guerra na Geórgia, a Rússia e a Organização do Tratado do Atlântico Norte (Otan) abriram hoje uma nova etapa em suas relações com o compromisso de estudar novos mecanismos de cooperação para a estabilização do Afeganistão.

EFE |

"Hoje, após uma série de encontros e decisões adotadas, passamos para um novo nível de relações", disse o presidente russo, Dmitri Medvedev, durante sua reunião no Kremlin com o secretário-geral da Otan, o dinamarquês Anders Fogh Rasmussen.

Medvedev atribuiu grande parte do mérito do início desta nova etapa a Rasmussen, que declarou logo após assumir o cargo que queria abrir uma nova página na cooperação política e militar com a Rússia.

"O número de ameaças não diminuiu, mas aumentou. Quem poderia imaginar que seria possível reagir conjuntamente a um problema como a pirataria", apontou o presidente russo.

Rasmussen explicou que tinha vindo a Moscou para confirmar que uma de suas prioridades é "reforçar a cooperação com a Rússia e fazer todo o possível para que esta seja baseada em relações de profunda confiança".

"Certamente, temos divergências em alguns assuntos, mas, apesar de tudo, me parece que existe potencial para fortalecer a cooperação, especialmente nos âmbitos onde temos ameaças comuns", disse.

Rasmussen destacou que a cooperação com a Otan no Afeganistão é vital para Moscou, já que seria muito perigoso se esse país se transformasse de novo em um refúgio seguro para o terrorismo, que se propagaria para a Rússia passando pela Ásia Central.

"Propus à Rússia para que reforce sua participação na regra da situação no Afeganistão e entreguei propostas concretas sobre como a Rússia poderia participar mais ativamente do processo de solução" do conflito, disse o secretário-geral da Otan.

Segundo Rasmussen, essa participação poderia ocorrer por meio do fornecimento de mais helicópteros, peças e combustível para a Isaf, a força internacional da Otan no Afeganistão, e a formação de pilotos, policiais e forças de segurança afegãs.

De acordo com a imprensa russa, a Otan pede à Rússia para que forneça às tropas afegãs centenas de milhares de fuzis Kalashnikov AK-47, além de veículos blindados, lança-granadas, minas e caminhões, entre outros tipos de armamento, a preços subsidiados.

Além disso, Rasmussen sondou a possibilidade de que a Rússia permita ampliar o trânsito terrestre de tropas e armas aliadas com destino à coalizão que combate os talibãs e a Al Qaeda.

"Apreciamos a possibilidade de trânsito que a Rússia nos oferece e consideramos que há potencial para uma maior cooperação", assegurou o secretário-geral, ao lembrar que a Otan aumentará suas tropas no Afeganistão em milhares de militares em 2010.

Por enquanto, a Rússia cedeu seu espaço aéreo aos Estados Unidos para o transporte de armas. Por terra, só é possível transportar cargas não militares.

A Otan quer que a Rússia autorize o trânsito não só aos países-membros, mas à organização como um todo e a outros Estados que mandam tropas para a região.

O organismo militar também quer poder enviar cargas militares até o Afeganistão por ferrovias russas.

O ministro de Assuntos Exteriores russo, Serguei Lavrov, assegurou que Medvedev pediu que as propostas apresentadas por Rasmussen sejam estudadas.

O chefe da diplomacia russa destacou que Moscou espera, por sua vez, que a Otan "responda à nossa proposta" de luta conjunta contra o tráfico de drogas afegão e à iniciativa do Kremlin de assinar um novo tratado de segurança europeia.

"A estratégia internacional seria mais eficaz na solução dos problemas do Afeganistão se houvesse cooperação com o Governo e o povo afegãos para que assumam a responsabilidade sobre seu país", apontou.

Medvedev e Rasmussen "confirmaram sua disposição e vontade de desenvolver relações equitativas e mutuamente vantajosas", afirmou Lavrov, que também demonstrou satisfação com o acordo para reestruturar o Conselho Otan-Rússia.

"Certamente, ainda temos divergências, mas não as dramatizamos excessivamente", afirmou Lavrov, que se mostrou otimista sobre a possibilidade de "aproximar posturas" nesses assuntos diante da disposição do secretário-geral da Otan.

As duas partes mantêm diferenças em matéria de segurança, ampliação da Otan e a presença de milhares de militares russos nas regiões separatistas georgianas da Ossétia do Sul e da Abkházia, cuja independência foi reconhecida por Moscou. EFE io/bba

    Leia tudo sobre: iG

    Notícias Relacionadas


      Mais destaques

      Destaques da home iG