Rússia e Geórgia trocam acusações na Conferência sobre Desarmamento da ONU

Genebra, 14 ago (EFE).- Os representantes da Rússia e da Geórgia trocaram hoje duras acusações na sessão plenária da Conferência sobre Desarmamento das Nações Unidas, onde se denunciaram mutuamente por violações ao direito internacional humanitário.

EFE |

O embaixador da Geórgia na ONU em Genebra, Giorgi Gorgiladze, disse que, apesar do acordo de cessar-fogo alcançado na terça-feira passada, a Rússia continuou atacando ontem o território georgiano, "causando destruição em massa e graves danos à população e às infra-estruturas civis".

Esses atos, disse o diplomata, "violam gravemente o direito internacional humanitário", enquanto "o número de alvos civis bombardeados ou atacados de outra maneira pelas forças russas indicam claramente que não são só efeitos colaterais".

Gorgiladze afirmou que, entre os lugares atacados, estão edifícios residenciais, um mercado, uma estação de trem, um aeroporto, pontes e até a estação de um radar civil.

O embaixador russo na ONU, Valery Loshchinin, rebateu essas acusações e afirmou que as forças de seu país "respeitaram estritamente as normas do direito humanitário", e negou qualquer ataque contra pessoas ou infra-estruturas civis.

"O que acontece estes dias não é mais do que uma agressão cuidadosamente planejada por Tbilisi contra a população da Ossétia do Sul", disse o representante de Moscou, que também acusou a Geórgia de utilizar "todo tipo de armamento", a fim de realizar "uma limpeza étnica" nessa região separatista.

Acrescentou que existe "um grande número de provas" das violações do direito internacional por parte da Geórgia, e afirmou que a Rússia "apresentará essas evidências".

Após lembrar os seis princípios que estão no acordo de cessar-fogo alcançado entre Tbilisi e Moscou, com a mediação do presidente francês, Nicolas Sarkozy, Loshchinin ressaltou que o mais importante deles era a renúncia ao uso da força.

Sobre este ponto, disse que "ainda deve ser concretizado através de um documento juridicamente obrigatório".

Além disso, o embaixador russo disse que a Geórgia vinha se preparando para uma operação militar e, como mostra disso, alegou que o orçamento militar georgiano tinha multiplicado.

Gorgiladze respondeu assegurando que a Geórgia "nunca excedeu os limites estabelecidos pelos tratados internacionais e regimes de controle de armas", e qualificou essas acusações de "pura demagogia". EFE is/an

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