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Rússia e Geórgia se acusam por crimes de guerra na Ossétia do Sul

A Rússia e a Geórgia trocaram neste sábado acusações mútuas de crimes de guerra, em meio à ampliação do conflito iniciado na província separatista georgiana da Ossétia do Sul. O parlamento da Geórgia declarou estado de guerra depois que a Rússia passou a atacar alvos que estão fora da área de conflito.

BBC Brasil |

Já o primeiro-ministro russo, Vladimir Putin, defendeu o direito da Rússia de intervir para proteger cidadãos russos na província e acusou a Geórgia de cometer "genocídio" e "crimes contra seu próprio povo" na luta contra os rebeldes.

Os combates já fizeram centenas de vítimas, entre mortos e feridos, e há relatos que falam em até 2 mil mortos - nenhuma estatística confirmada.

Além disso, a situação se complicou neste sábado com o que pode ter sido a abertura de uma segunda frente contra o Exército georgiano, desta vez na região da Abecásia, também separatista.

Grupos rebeldes lançaram ataques aéreos e de artilharia contra militares da Geórgia. O governo diz que os rebeldes foram repelidos.

Reuters
Tanques russos em combate na Geórgia

Ataques
O sábado foi marcado pelo ataque de jatos russos a alvos militares na cidade de Gori, próxima à capital da Ossétia do Sul, Tskhinvali, mas fora da província rebelde. Segundo o governo georgiano, 60 civis morreram ou ficaram feridos.

A Rússia diz que Tskhinvali está sob seu poder e que Gori é onde as tropas da Geórgia se concentram para tentar tomar a região separatista.

O ataque levou o parlamento da Geórgia a declarar estado de guerra, o que dá ao presidente georgiano, Mikhail Saakashvili, autoridade para convocar reservistas e elevar os esforços militares na Ossétia do Sul.

Cerca de 2 mil homens que serviam no Iraque já foram reconvocados para lutar em casa.

Em uma entrevista à BBC, o presidente georgiano acusou a Rússia de crimes de guerra ao atacar áreas residenciais.

"Durante toda a noite, bombardeios russos tentaram atingir oleodutos que estão a centenas e centenas de quilômetros da zona de conflito", declarou Saakashvili.

"Não se trata apenas de parar os combates na zona de conflito. Eles estão destruindo meu país, minha democracia, controlando as rotas de energia para a Europa e fazendo tudo isto de maneira brutal, porque basicamente 90% das pessoas que eles mataram são civis que estão sendo deliberadamente atacados", acusou.

"Estamos efetivamente falando de crimes de guerra."
A recente explosão de violência começou depois de uma operação de forças da Geórgia contra rebeldes ossetas que, segundo a Rússia, estaria colocando em risco a vida de cidadãos russos.

"Historicamente, sempre que a Rússia atacou um país vizinho, afirmou que foi uma invasão provocada. Eles sempre disseram ter ido 'resgatar minorias' - na Polônia, na Finlândia -, sempre tiveram um pretexto para invadir - a Hungria, a Tchecoslováquia, o Afeganistão. Isso é a velha propaganda soviética", disse Saakashvili.

"Mas nós estamos no século 21, pelo amor de Deus. Apenas respondemos com nossas Forças Armadas depois que 150 tanques russos e carros blindados cruzaram a fronteira georgiana e entraram no nosso território."

Em outro momento, ele declarou a jornalistas enquanto visitava um hospital: "Fiz um apelo ao presidente russo Dmitri Medvedev propondo acabar com essa loucura".

'Genocídio'
Também neste sábado, o primeiro-ministro russo, Vladimir Putin, acusou a Geórgia de cometer "genocídio" e "crimes contra seu próprio povo" no conflito.

"Atacando a integridade territorial da Geórgia e assim causando mais prejuízos à sua própria nação, é difícil imaginar como é possível convencer a Ossétia do Sul a fazer parte da Geórgia após esses eventos que ocorreram e continuam a ocorrer", afirmou Putin na cidade de Vladikavkaz, na fronteira entre a Rússia e a província georgiana.

"A agressão levou a inúmeras vítimas, incluindo a população pacífica e civil, e provocou uma verdadeira catástrofe humanitária. E isto é, claro, um crime contra seu próprio povo."
Putin disse que o que está acontecendo na Ossétia do Sul "é um genocídio".

As declarações foram reproduzidas pela TV e a agência oficial russas. Mais cedo, ele defendeu a intervenção militar russa na província georgiana.

"Para a Rússia, do ponto de vista legal, nossas ações são absolutamente justificáveis e legítimas. Além do mais, são necessárias, em linha com acordos internacionais que nos obrigam a realizar não apenas tarefas de manutenção da paz mas proteger o outro lado se um dos lados do conflito desrespeitar o cessar-fogo, que é o caso na Ossétia do Sul."

Diplomacia
Uma delegação incluindo enviados americanos e europeus está se dirigindo à Geórgia para tentar negociar um cessar-fogo na região.

Na sexta-feira, o Conselho de Segurança da ONU não conseguiu chegar a um acordo sobre uma declaração pedindo o fim das hostilidades.

A Grã-Bretanha, os Estados Unidos e a França afirmam que a agressão russa seria o principal fator do conflito, enquanto Moscou culpa a Geórgia.

A secretária de Estado americana, Condoleezza Rice, pediu que a Rússia retire suas tropas e respeite a integridade territorial da Geórgia.

O órgão de segurança da União Européia alertou que o conflito na região pode se transformar em uma guerra.

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