Rússia e Geórgia mataram 70 com bombas de fragmentação na Ossétia

Genebra, 14 abr (EFE).- Rússia e Geórgia usaram bombas de fragmentação durante o conflito que travaram em agosto do ano passado e causaram 70 vítimas com este tipo de munição, segundo denunciou hoje a ONG Human Rights Watch.

EFE |

Os dois países se enfrentaram em uma curta guerra após a ofensiva das tropas georgianas no território separatista da Ossétia do Sul.

A Rússia, que apoia a província, respondeu com uma contundente resposta repelindo as forças da Geórgia.

A Human Rights Watch fez uma investigação no local após o conflito, cujas conclusões apresentou hoje em Genebra em um relatório intitulado "Uma prática mortal: uso de bombas de fragmentação por Rússia e Geórgia em agosto de 2008".

Segundo esse relatório, 16 pessoas morreram e outras 54 ficaram feridas pelo impacto deste tipo de bomba.

"A Rússia já é veterana no uso desta bomba, porque já as usou na Chechênia, entre outros lugares; a Geórgia é novata, importa bombas de fragmentação e as que utilizou eram israelenses", explicou Bonnie Docherty, autora do relatório.

"Este tipo de bomba tem dois problemas essenciais, pois afetam áreas muito amplas e não explodem imediatamente, por isso causam vítimas muito após o conflito terminar", acrescentou.

O relatório aponta nove cidades nas quais se encontraram restos de bombas de fragmentação lançadas pelos russos e outras nove com armas deste tipo usadas pelos georgianos.

"Tbilisi (sede do Governo da Geórgia) admitiu ter usado deste tipo de bomba, mas disse que só as lançou contra os militares russos, algo que se comprovou que não é verdade. Moscou, então, segue negando que as tenha utilizado, o que é inaceitável, dada a evidência", ressaltou a autora do relatório.

A entidade lamentou "o retrocesso" que representou a utilização bombas de fragmentação pouco menos de três meses após 96 países assinarem a Convenção sobre Bombas de Fragmentação, que proíbe sua fabricação, seu armazenamento e seu uso.

A Rússia e a Geórgia, porém, não assinaram o tratado, assim como Brasil, Estados Unidos, China, Índia, Paquistão e Coreia do Sul. EFE mh/jp

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