Marta Hurtado. Genebra, 18 fev (EFE).- A quarta rodada de negociações entre Rússia e Geórgia terminou pela primeira vez com um resultado concreto, do acordo por consenso sobre um mecanismo de prevenção e resolução de conflitos.

"O mecanismo foi criado para apoiar a paz, a estabilidade e a segurança; para prevenir, e, se for necessário, responder aos incidentes que podem causar sofrimento à população civil ou quando houver risco de deterioração da situação", diz o texto do acordo firmado hoje.

As negociações -com mediação de União Europeia (UE), Nações Unidas e Organização para a Segurança e a Cooperação na Europa (OSCE)- se estabeleceram após o conflito que de agosto do ano passado, após a ofensiva georgiana no território separatista da Ossétia do Sul, que foi respondida pela Rússia com outros ataques.

O mecanismo firmado estabelece que Rússia e Geórgia se reunirão pelo menos uma vez por semana, ou mais, se for necessário.

Além disso, haverá uma linha telefônica direta entre as partes, aberta 24 horas, para poder resolver o mais rapidamente possível quaisquer conflitos que possam acontecer.

O mecanismo também tem como objetivo investigar os incidentes, dar cobertura de segurança às instalações e infraestrutura mais vitais, responder às atividades criminosas e garantir a distribuição de ajuda humanitária.

"Consideramos que este acordo contribuirá efetivamente para estabilidade e a segurança na região", afirmou o francês Pierre Morel, representante da UE.

Para o diplomata, este "é um avanço particularmente produtivo. É o primeiro documento prático que conseguimos e resolve uma questão imediata, por isso tenho que demonstrar minha satisfação".

Johan Verbeke, representante especial para a Geórgia do secretário-geral das Nações Unidas, Ban Ki-Moon, também se disse satisfeito pelo acordo.

"Agora devemos trabalhar para que no final desta semana possamos traduzir o documento em ações concretas", disse Verbeke.

Segundo ambos os diplomatas, o grupo acatou uma solicitação feita na sexta-feira pelo Conselho de Segurança da ONU, que aprovou uma resolução sobre a Geórgia "pedindo a Genebra" que intensifique os trabalhos e obtenha progressos concretos.

Por sua parte, o vice-ministro de Relações Exteriores da Geórgia, Giorgi Bokeria, afirmou que o mecanismo aprovado "é um passo muito positivo na direção adequada, mas que, para implementá-lo, é preciso vontade política".

"A Geórgia está pronta para fazer tudo que for necessário para que o mecanismo funcione", declarou.

Estava previsto que, como nas três reuniões anteriores, a Rússia também concedesse uma entrevista coletiva, mas a mesma foi cancelada sem haver explicações.

A respeito do segundo tema em discussão, o retorno dos refugiados, e em diversos assuntos humanitários também houve avanços, mas nada significativo.

Morel citou o acesso à água potável e o problema da propriedade dos imóveis como duas das questões mais cruciais a resolver.

Por outra parte, Bokeria pediu que haja reuniões mais frequentes em Genebra "porque elas estão ajudando a convergir posições e porque contribuem para que haja maior diálogo".

Além disso, o vice-ministro georgiano pediu que a quinta rodada de negociações "se realize o mais rápido possível".

Morel especificou que a próxima reunião em Genebra acontecerá ainda no primeiro semestre, mas esclareceu que a data exata ainda não foi determinada.

Representantes das entidades separatistas da Ossétia do Sul e da Abkházia também participaram das negociações, mas a título informal, dado que o Governo georgiano não reconhece suas autoproclamadas independências. EFE mh/jp

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