Rússia e China vetam sanções da ONU ao Zimbábue

Nações Unidas, 11 jul (EFE).- Rússia e China vetaram hoje no Conselho de Segurança da ONU as sanções que seriam adotadas contra o regime do presidente do Zimbábue, Robert Mugabe, para forçá-lo a negociar com a oposição uma saída à crise.

EFE |

A resolução redigida pelos Estados Unidos recebeu nove votos a favor, uma abstenção e cinco contra, entre eles os da Rússia e da China, membros permanentes do Conselho de Segurança e com poder de veto.

O veto não agradou aos defensores da medida, que consideraram uma oportunidade perdida para apoiar a democracia no Zimbábue.

"China e Rússia se colocaram ao lado de Mugabe e contra o povo do Zimbábue", disse o embaixador dos EUA na ONU, Zalmay Khalilzad.

Já o embaixador britânico John Sawers se declarou "surpreendido" com o voto negativo russo, depois que o presidente Dimitri Medvedev assinasse na recente cúpula do Grupo dos Oito (G8, que agrupa os sete países mais desenvolvidos e a Rússia) uma declaração conjunta contra o regime de Mugabe.

"O povo zimbabuano tem o direito de esperar que termine o pesadelo que estão passando, e hoje o Conselho de Segurança impediu isso", comentou.

O embaixador da Rússia na ONU, Vitaly Churkin, classificou de "incorreta" as declarações do diplomata britânico e reiterou que o acordo do G8 não supunha um respaldo explícito às sanções.

Churkin advertiu que a resolução "era uma tentativa de intromissão nos assuntos internos de um Estado" que não representa uma ameaça à paz internacional.

"Faz tempo que vemos uma tendência por parte de alguns de conduzir o Conselho de Segurança além de suas funções, o que é excessivo e perigoso", comentou.

As delegações que votaram contra a resolução também assinalaram sua preocupação com a possibilidade de que sua adoção atrapalhasse uma saída negociada à crise.

"A China sempre sustentou que o melhor enfoque é o diálogo e a negociação e por isso as sanções não parecem levar à solução dos problemas", disse o embaixador da China nas Nações Unidas, Wang Gaungya.

O texto impunha ao Zimbábue um embargo de armas, além de um congelamento de bens e de uma proibição de viagens para Mugabe e 13 de seus principais colaboradores acusados de organizar uma campanha de violência política contra a oposição O embaixador zimbabuano na ONU, Boniface Chidyausiku, qualificou as sanções como uma medida "imperialista" que tenta manipular os resultados das eleições presidenciais.

"Não há razão para que o Zimbábue, que está em paz em seu interior e com seus habitantes, esteja na agenda do Conselho de Segurança", afirmou em um discurso prévio à votação.

Chidyausiku disse que a resolução faz parte de uma campanha de "caça" de Londres e seus aliados contra o Zimbábue para castigar o país africano por sua política de redistribuição de terras.

A África do Sul advertiu que as sanções atrapalhariam o reatamento das conversas realizadas na quinta-feira entre a oposição e o Governo de Mugabe, com mediação do presidente sul-africano, Thabo Mbeki.

"Estamos esperançosos com o compromisso das partes no Zimbábue de dialogar", disse o embaixador sul-africano na ONU, Dumisani Kumalo.

EFE jju/rr

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