Rússia e China pressionam Irã por programa nuclear

Por Conor Sweeney MOSCOU (Reuters) - Um importante diplomata russo disse na quarta-feira que seu país e a China pressionaram o Irã a aceitar a oferta de intercâmbio de combustível nuclear feita pela ONU.

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Diplomatas ocidentais já haviam dito à Reuters que Rússia e China pressionaram neste mês Teerã a mudar sua postura a respeito da oferta da ONU, pela qual o país enviaria urânio baixamente enriquecido ao exterior, para em troca receber combustível para um reator de pesquisas médicas.

Potências ocidentais, que temem o desenvolvimento de armas nucleares no Irã, acham que o intercâmbio dificultaria que a República Islâmica enriquecesse urânio até os níveis necessários para o uso bélico. Teerã insiste no caráter pacífico das suas atividades.

"Representantes russos e chineses conversaram com representantes da chancelaria iraniana em Teerã", disse a fonte da chancelaria russa, pedindo anonimato. De acordo com o diplomata, "a essência dessas ações foi induzir Teerã a agir dentro do marco previamente acertado" em negociações que envolviam os cinco membros permanentes do Conselho de Segurança (EUA, Grã-Bretanha, França, Rússia e China), mais a Alemanha.

Na semana passada, o chanceler russo, Sergei Lavrov, disse que o Irã está deixando escapar a chance de manter uma cooperação normal com a agência nuclear da ONU.

A frustração russa com o Irã tem crescido desde que Irã esnobou a proposta da ONU, pela qual o urânio do país seria enviado para enriquecimento na Rússia e/ou na França.

Rússia e China em geral relutam em aceitar sanções ao Irã, país com o qual têm grandes interesses comerciais. Mas diplomatas ocidentais na ONU consideraram significativo que as duas potências tenham passado a pressionar Teerã.

O diplomata russo não quis detalhar quais sanções Moscou apoiaria, repetindo declarações anteriores do país de que as punições, além de não serem inevitáveis, não podem prejudicar a população iraniana.

"Não obstante, as nuvens estão se formando, e a posição iraniana deixa menos margem de manobra diplomática. Isso não significa que o caso possa ser encerrado e que podemos proceder ao próximo passo, das sanções. Ainda não chegou tão longe."

(Reportagem de Conor Sweeney)

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