Rússia e China pedem a Obama estratégia multilateral para o Afeganistão

Ignacio Ortega. Moscou, 27 mar (EFE).- Rússia, China e os outros membros centro-asiáticos da Organização de Cooperação de Xangai (SCO, em inglês) pediram hoje aos Estados Unidos a adoção de uma estratégia multilateral para dar mais estabilidade ao Afeganistão.

EFE |

"A SCO ressalta a importância de coordenar os esforços conjuntos para resistir ao terrorismo, ao narcotráfico e às redes criminosas no Afeganistão e em toda a região da Ásia Central", diz a declaração final da conferência sobre o Afeganistão realizada hoje em Moscou.

A organização considera fundamental "a cooperação entre Afeganistão e os países vizinhos", em particular, Irã e Paquistão, e defende continuar "os esforços internacionais para construir um Afeganistão estável, pacífico, próspero e democrático".

Com três países que fazem fronteira com o Afeganistão - China, Uzbequistão e Tadjiquistão - entre seus afiliados, a SCO insistiu hoje na importância de a ONU desempenhar um papel central na coordenação da estratégia de estabilização e pediu que seus princípios tenham base na Carta das Nações Unidas.

Para isso, os países-membros da SCO pedem que "os métodos de força sejam conjugados com os administrativos" com o objetivo de pôr em prática programas de desenvolvimento socioeconômico.

A declaração de Moscou também defendeu o fortalecimento das forças de segurança afegãs e também a preparação de especialistas em luta antidrogas.

O documento é acompanhado de um plano de ação entre a SCO e a Organização do Tratado de Segurança Coletiva - formada por Rússia, Cazaquistão, Uzbequistão, Tajiquistão, Quirguízia, Armênia e Bielorússia -, para criar um "cinturão" antiterrorista e antidrogas, além de um corredor de redes energéticas seguras.

Esta declaração foi emitida pouco depois de o presidente dos EUA, Barack Obama, anunciar em Washington sua nova estratégia para o Afeganistão, centrada em "desativar, desmantelar e derrotar a Al Qaeda".

Obama antecipou o envio de um contingente adicional de quatro mil militares os quais terão como missão treinar as forças de segurança afegãs, as quais se somarão aos reforços já anunciados de 17 mil soldados americanos.

Além disso, o presidente americano anunciou um novo grupo de contato, junto à ONU, para o Afeganistão e o Paquistão que incluirá os aliados da Otan, os Estados da Ásia Central, os países do Golfo, Irã, Rússia, Índia e China.

Tanto Moscou quanto Pequim ainda consideram o Afeganistão como sendo um barril de pólvora e dizem que a guerra iniciada pelos EUA em 2001 apenas contribuiu para agravar a instabilidade na Ásia Central.

Rússia e China disseram que só estarão dispostos a cooperar com a coalizão aliada que combate os talibãs no Afeganistão caso seus interesses sejam levados em conta.

A SCO considera que não há a atenção necessária a assuntos como o narcotráfico, apesar de a Rússia e as repúblicas centro-asiáticas serem atualmente o principal corredor utilizado pelos barões afegãos das drogas para exportá-las para a Europa.

Recentemente, a Rússia denunciou que a produção de drogas no Afeganistão aumentou em mais de 40 vezes desde o começo da guerra em 2001.

Ao mesmo tempo, os russos veem com bons olhos a inclusão a iniciativa dos EUA de estabelecer um plano de saída das tropas do Afeganistão e a ideia dada por Obama de abrir uma via de diálogo com as facções talibãs mais moderadas.

Compareceram à conferência de Moscou o secretário-geral da ONU, Ban Ki-moon, representantes dos EUA, da Otan e dos países observadores da SCO: Irã, Paquistão e Índia.

O subsecretário de Estado americano, Patrick Moon, manifestou o desejo da Administração Obama em cooperar com o Irã na situação do Afeganistão.

Segundo Moon, "o Irã é um ator importante para a solução do problema afegão. O Afeganistão é um bom campo para cooperar com o Irã no futuro".

O vice-ministro de Assuntos Exteriores iraniano, Mehdi Akhundzade, que representa o Governo de Teerã na conferência de Moscou, declarou que a situação no Afeganistão piorou e que "chegou a hora de passar das declarações à ação".

"A SCO pode ter um importante papel na luta contra essas ameaças e a ONU é a principal plataforma na qual todos os esforços devem ser concentrados", disse Akhundzade às agências russas de notícias.

A conferência de Moscou ocorre poucas semanas após o Quirguistão anunciar sua decisão de fechar ainda neste ano a base aérea de Manas, a última que os EUA dispõem na Ásia Central.

Além disso, o evento da SCO antecede a reunião internacional sobre o Afeganistão organizada pela ONU, que será realizada na próxima terça-feira em Haia com a presença da secretária de Estado americana, Hillary Clinton, e o ministro de Assuntos Exteriores russo, Serguei Lavrov. EFE.

io/bba

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