Rússia diz que plano para assassinar Putin foi frustrado

Emissora estatal diz que dois homens foram detidos na Ucrânia por envolvimento em complô orquestrado por líder rebelde checheno

iG São Paulo |

EFE
Premiê russo, Vladimir Putin, faz discurso em comício em Moscou (23/02)
Os serviços secretos da Rússia e da Ucrânia prenderam suspeitos de envolvimento em um plano para matar o primeiro-ministro russo, Vladimir Putin, informou a TV estatal russa nesta segunda-feira, a menos de uma semana da eleição presidencial na qual o premiê é candidato .

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De acordo com a emissora, os suspeitos agiam sob o comando do líder checheno Doku Umarov e tentariam matar Putin imediatamente após a eleição, marcada para domingo.

Os homens foram presos em Odessa, na Ucrânia, após uma explosão acidental em 4 de janeiro, quando fabricavam explosivos em um apartamento alugado. O serviço secreto ucraniano afirmou em 7 de fevereiro ter detido três suspeitos de terrorismo em Odessa, no dia 4. Na época, nenhuma informação sobre o suposto plano contra Putin foi divulgada.

A porta-voz da agência de inteligência da Ucrânia, Marina Ostapenko, afirmou nesta segunda-feira que o serviço secreto russo está conduzindo sua própria investigação. Ela não esclareceu se as prisões anunciadas no início do mês estão relacionadas ao caso.

O porta-voz de Putin, Dmitri Peskov, confirmou o relato da emissora, mas não deu outras informações. O Serviço Secreto da Rússia, citado como fonte pela TV, não quis comentar a notícia.

De acordo com a emissora, dois dos supostos rebeldes chechenos teriam chegado à Ucrânia após deixar os Emirados Árabes e passar pela Turquia. Um dos homens, que seria checheno, morreu na explosão acidental. Outro, Ilya Pyanzin, do Cazaquistão, ficou ferido e foi preso.

Pyanzin teria, então, levado os investigadores até outro suposto envolvido, Adam Osmayev, um checheno que já viveu em Londres. A emissora estatal mostrou imagens da a prisão de Osmayev em Odessa e uma entrevista na qual ele descreveu a missão do grupo: “Nosso objetivo era ir até Moscou e tentar matar o primeiro-ministro Putin. Nosso prazo era logo após a eleição presidencial russa’.

Ele disse ter se recusado a atuar como homem-bomba, papel que caberia ao checheno morto na explosão acidental. Osmayev teria levado investigadores até explosivos implantados perto de uma avenida em Moscou na qual Putin costuma passar para ir de sua casa ao escritório. Um policial disse à emissora que os suspeitos tinham vídeos do comboio de Putin, que usavam para se preparar.

Todos seguiriam ordens de Umarov, líder do grupo rebelde islâmico Emirado do Cáucaso, que reivindica a criação de um Estado islâmico independente na região russa do Cáucaso, território que inclui Chechênia, Daguestão e outros territórios vizinhos.

Umarov assumiu responsabilidade por vários ataques terroristas na Rússia, incluindo um ataque a bomba no metrô de Moscou em março de 2010 que deixou 40 mortos, e um atentado no Aeroporto de Domodedovo , também na capital russa, que deixou 37 mortos em janeiro de 2011.

Até agora o grupo não se pronunciou sobre o suposto plano para matar Putin. O premiê considera a vitória sobre os rebeldes chechenos como uma das principais conquistas de seu governo, e analistas acreditam que a notícia de um plano frustrado do grupo pode aumentar o apoio à candidatura do premiê à presidência.

Putin, que foi presidente entre 2000 e 2008, enfrenta uma onda de descontentamento sem precedentes na Rússia. No domingo, milhares de russos fizeram uma corrente humana em volta do centro da cidade de Moscou, em protesto contra o premiê.

Como uma mudança constitucional estendeu o mandato presidencial russo de quatro para seis anos, Putin tem a chance de ficar até 12 anos do poder caso vença a eleição de 2012 e busque a reeleição.

Reuters
Imagem mostra apartamento em Odessa, na Ucrânia, no qual homens supostamente fabricavam explosivos para atentado contra Putin
Com AP , AFP e EFE

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