Rússia diz que missão da UE não entrará na Ossétia do Sul e na Abkházia

Bruxelas, 10 set (EFE).- O embaixador russo diante da Otan, Dmitri Rogózin, afirmou hoje que a missão de observação civil da União Européia (UE) na Geórgia não entrará nos territórios da Ossétia do Sul e da Abkházia, mas nas regiões de segurança em torno de suas respectivas demarcações.

EFE |

O acordo obtido por três líderes da UE em Moscou na segunda-feira passada só se refere a estas áreas e o presidente francês, Nicolas Sarkozy, "entende isto perfeitamente", declarou Rogózin em entrevista coletiva.

"Caso não haja menção no texto" à presença dos observadores da UE nestes locais, então "não existem ali", acrescentou o embaixador, que afirmou que o acordo da última segunda menciona apenas as chamadas "zonas de segurança" em solo georgiano em torno das duas regiões separatistas.

O embaixador da Geórgia perante a Otan, Revaz Beshidze, afirmou em outra entrevista coletiva que o posicionamento dos 200 observadores da UE é "um primeiro passo" para a solução do conflito, mas previu que "haverá muitos obstáculos da parte russa para que se posicionem por todo o território georgiano".

Mesmo assim, expressou sua confiança de que os observadores "chegarão mais tarde a todo o território georgiano", apesar de reconhecer que "há muito a fazer até que as forças russas abandonem" seu país.

Por outro lado, Rogózin disse que, se o chefe da diplomacia da UE, Javier Solana, quer discutir sobre este posicionamento, "tem que falar com a Ossétia do Sul e a Abkházia, que são dois Estados independentes".

O embaixador russo criticou hoje a visita que o Conselho do Atlântico Norte, principal órgão decisório da Aliança, realizará à Geórgia nas próximas segunda e terça para celebrar ali a primeira sessão da Comissão Otan-Geórgia.

Esta visita, liderada pelo secretário-geral da Otan, Jaap de Hoop Scheffer, "está fora de lugar moral e politicamente", declarou Rogózin.

Além disso, criticou a visita de uma frota de fragatas da Otan a portos da Bulgária e da Romênia (membros da Otan) em águas do Mar Negro, já que sua presença "não contribui para a segurança da região".

No entanto, Rogózin afirmou que estes navios não descumpriram acordos internacionais.

A Otan anunciou em comunicado que os navios deixarão hoje as águas do Mar Negro, às quais chegaram no dia 21 de agosto para um período máximo de três semanas com o objetivo de realizarem uma série de exercícios com unidades navais romenas e búlgaras.

O diplomata russo defendeu também o anúncio de que Moscou posicionará 3.800 soldados na Abkházia e um número similar na Ossétia do Sul como produto de acordos.

Por outro lado, o embaixador georgiano criticou o anúncio desta operação como uma violação do acordo de seis pontos estipulado por Sarkozy, presidente da França e do Conselho Europeu durante este semestre.

"Temos uma longa experiência com a Federação Russa na qual violaram muitas vezes acordos internacionais", afirmou. EFE rcf/fal

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