Moscou/Tbilisi, 21 ago (EFE).- O comando militar da Rússia anunciou hoje que completará nesta sexta-feira a retirada de suas tropas da área de responsabilidade das forças de paz na Ossétia do Sul, enquanto as autoridades georgianas denunciam que as unidades russas ampliam as regiões de ocupação.

O anúncio foi feito pelo chefe adjunto do Estado-Maior Geral das Forças Armadas da Rússia, Anatoli Nogovitsin, que desde a explosão das ações militares, no último dia 8, se dispõe diariamente a dar uma entrevista coletiva, que é transmitida ao vivo por rádio.

"Começou a retirada, e por volta do dia 22 de agosto as tropas da Federação Russa se encontrarão nos limites da área de responsabilidade das forças de paz", disse o general russo, em uma das entrevistas.

Nogovitsin ressaltou que "o processo apenas começou", e não quis fornecer dados sobre o número de soldados que foram retirados, com o argumento de que essa informação varia com o correr do tempo.

No entanto, revelou que a artilharia já foi retirada de Gori, cidade estratégica georgiana situada a 25 quilômetros ao sul da autoproclamada república da Ossétia do Sul.

A agência russa "Interfax" informou que uma coluna militar russa que provinha da fronteira administrativa da Ossétia do Sul tomou rumo em direção à vizinha república russa da Ossétia do Norte.

A coluna, integrada por mais de 40 veículos militares, incluindo carros de combate, transportes blindados, plataformas de lançamento múltiplos de foguetes e caminhões, passou sem ser detida pelos arredores de Tskhinvali, a capital da Ossétia do Sul.

O general Nogovitsin destacou que as tropas georgianas, que participaram da "agressão" contra a Ossétia do Sul, perderam o direito de realizar qualquer missão na área de responsabilidade das forças de paz.

Ao mesmo tempo, ressaltou que o acordo de 1992 entre Rússia e Geórgia para a missão de paz das tropas russas na região do conflito não pode ser denunciado unilateralmente porque não contém semelhante cláusula.

Nogovitsin assinalou que veículos aéreos de outros Estados só podem sobrevoar a área de responsabilidade das tropas de paz com autorização russa.

O chefe adjunto do Estado-Maior Geral ironizou a ajuda humanitária que os Estados Unidos enviaram à Geórgia, ao responder a uma pergunta sobre o conteúdo dessas cargas.

Nogovitsin disse que a assistência humanitária incluía mais de dois mil pacotes de uso pessoal, como papel higiênico, desodorantes e outros artigos.

"Esta ajuda chegou tarde. As tropas georgianas necessitavam dela quando estavam retrocedendo. Mas antes tarde do que nunca", acrescentou.

Na Geórgia, fontes oficiais e imprensa denunciaram que carros blindados russos retornaram hoje à cidade de Gori e ao porto de Poti, no centro e no oeste do país, respectivamente.

O chefe da Polícia da região de Gori, David Tabuzaze, declarou que esta madrugada um número indeterminado de blindados russos entrou novamente em Gori.

"Não sabemos quantos, porque não nos permitem entrar em Gori", disse o chefe policial à emissora de rádio "Imedi".

Ontem à noite, mais de 50 blindados russos abandonaram Gori em direção à separatista Ossétia do Sul.

O secretário do Conselho de Segurança Nacional da Geórgia, Aleksandr Lomaya, declarou à televisão pública do país que havia sido testemunha da retirada de um comboio de blindados russos.

Já a "Imedi" informou que esta manhã vários transportes blindados russos entraram na base naval situada no porto de Poti.

Além disso, as tropas russas mantêm sob seu controle as cidades de Zugdidi e Senaki, no noroeste da Geórgia, assim como várias localidades menores. EFE bsi/fh/gs

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