Rússia diz que assinou versão do plano de paz diferente à da Geórgia

BRUXELAS - O embaixador da Rússia para a União Européia (UE), Vladimir Chizov, disse hoje que o presidente francês, Nicolas Sarkozy, apresentou às partes versões diferentes do plano de paz que colocou fim ao conflito com a Geórgia, e defendeu que Moscou já cumpriu completamente o texto que assinou.

EFE |

Em entrevista coletiva, Chizov considerou que as exigências feitas ontem pela União Européia para que a Rússia cumpra seu compromisso de retirar suas tropas de território georgiano "são talvez o reflexo de uma certa mal interpretação do plano de seis pontos".

"Nós cumprimos o plano assinado por Sarkozy e pelo presidente Dmitri Medvedev totalmente", disse o embaixador, que disse confiar em que, na reunião entre os dois líderes na próxima segunda-feira, em Moscou, "esta confusão" será resolvida.

O embaixador afirmou que as tropas russas que permanecem na "zona de segurança" e na cidade georgiana de Poti são formadas por 500 soldados em tarefas "de pacificação" e vigilância, "e estão preparadas para cooperar com os observadores" da Organização para a Segurança e Cooperação na Europa (OSCE).

Até que cheguem estes observadores e a zona estiver totalmente "pacificada", as forças russas permanecerão no território, disse.

"Outras medidas de segurança adicionais estão também claramente mencionadas no plano assinado por Sarkozy e Medvedev", disse.

No momento em que se esclarecer este "mal-entendido", acrescentou o embaixador, será possível superar a "vinculação artificial" entre a retirada de soldados e as negociações de um acordo de associação com a UE.

Sobre as supostas diferenças entre os textos que colocaram fim ao conflito gerado no Cáucaso, o embaixador especificou que, no texto assinado pelo presidente georgiano, Mikhail Saakashvili, "faltava o preâmbulo".

Acrescentou que, na versão georgiana, foi apagada a parte referente às futuras discussões sobre o status das províncias separatistas da Ossétia do Sul e da Abkházia, cuja independência foi reconhecida por Moscou.

Além disso, se referiu a um problema de tradução, já que, em uma versão, teria sido falado de discussão internacional sobre a segurança, em um caso "para" a Ossétia e no outro "na" Ossétia.

Por último, afirmou que, no texto apresentado pela secretária de Estado americana, Condoleezza Rice, a Saakashvili (que tinha se negado a assinar uma primeira versão), tinha uma carta de Sarkozy "com seus pontos de vista particulares sobre medidas de segurança que são descritos no ponto cinco".

"Esta carta nunca foi assinada pelo lado russo", destacou o embaixador.

Segundo seu critério, estas diferenças - que Sarkozy conhecia, disse - não podem ser explicadas por um mero problema de tradução.

No entanto, agradeceu ao presidente francês por sua mediação no conflito, e atribuiu estes problemas à "urgência para convencer alguns líderes georgianos" a assinar o texto.

Segundo o embaixador russo, o texto válido é o assinado por Sarkozy e Medvedev em 12 de agosto, em Moscou, e assim está registrado nas Nações Unidas.

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