Rússia diz que ação militar contra Irã seria 'catástrofe'

Sergei Lavrov alerta para consequências de operação enquanto chanceler israelense diz que não há decisão sobre eventual ataque

iG São Paulo |

O ministro russo das Relações Exteriores, Sergei Lavrov, afirmou nesta terça-feira que uma ação militar ocidental contra o Irã seria uma “catástrofe”. A declaração é feita conforme aumenta a tensão entre a comunidade internacional e o país persa por causa de seu programa nuclear.

“As consequências (de uma ação militar) seriam extremamente graves. Uma reação em cadeia seria provocada e eu não sei onde ela iria parar”, afirmou Lavrov, acrescentando que Rússia está “seriamente preocupada” com a possibilidade de conflito e fazendo todo o possível pra impedir que ele aconteça.

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AP
Chanceler russo Sergei Lavrov se pronuncia durante coletiva em Moscou, Rússia

Especulações sobre supostos planos do governo de Israel de atacar instalações nucleares iranianas ganharam força no ano passado. Horas antes da declaração de Lavrov, o ministro israelense da Defesa, Ehud Barak, voltou a dizer que não há nenhuma decisão sobre um ataque ao Irã. "Tudo isto está muito distante", afirmou, em entrevista a uma rádio.

A tensão entre o Irã e os EUA aumentou depois que o presidente americano, Barack Obama, aprovou novas sanções contra o setor petrolífero do país persa. Em resposta, o governo iraniano ameaçou fechar o Estreito de Ormuz, uma importante rota marítima para os carregamentos de petróleo.

A União Europeia deve aprovar sanções similares até o fim do mês. Nesta quarta-feira, Lavrov disse que as restrições à importação de petróleo iraniano busca “sufocar a economia iraniana e a população, numa aparente tentativa de provocar descontamento”.

Lavrov lembrou que a União Europeia estuda as nova sanções justamente no momento em que o Irã planeja retomar as negociações sobre seu programa nuclear com EUA, Reino Unido, China, França, Rússia e Alemanha.

“Acreditamos que há uma chance de retomar as negociações entre as seis potências e o Irã, e nos preocupamos com obstáculos que estão sendo colocados”, disse o ministro russo. “As sanções não ajudam a fazer com que as conversas sejam produtivas.”

Também nesta quarta-feira, o chanceler iraniano, Ali Akbar Salehi, desembarcou na Turquia e disse que Istambul seria o provável local da nova reunião.

Ele não informou nenhuma data, mas disse que o governo turco está em contato com autoridades do Irã e dos países da União Europeia.

Procurado pela BBC, o Ministério das Relações Exteriores do Reino Unido disse que não há “datas ou planos concretos” para negociações e que o Irã “ainda precisa demonstrar claramente que aceita negociar.”

Reuniões entre as seis potências e o Irã foram realizadas há cerca de um ano em Istambul, sem que grande progresso tenha sido alcançado. O Ocidente acusa o Irã de tentar desenvolver armas atômicas, enquanto o governo do país persa garante que seu programa nuclear tem fins pacíficos.

Com AP e BBC

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