Rússia diminui ritmo de recuo das tropas na Geórgia apesar de críticas

Ignacio Ortega e Misha Vignanski Moscou/Tbilisi, 19 ago (EFE).- A Rússia diminuiu hoje o ritmo de recuo de suas unidades militares do território georgiano, tanto da região separatista da Ossétia do Sul quanto da área controlada por Tbilisi, apesar da onda de críticas internacionais.

EFE |

"A ausência de qualquer tipo de controle sobre os soldados do Exército georgiano dificulta a situação e prejudica o recuo das tropas", afirmou hoje o subchefe do Estado-Maior do Exército russo, general Anatoly Nogovitsyn.

O general ressaltou que a situação na zona de conflito ainda é "complicada", especialmente na Ossétia do Sul, onde as localidades ossetas e georgianas estão muito perto umas das outras.

Nogovitsyn denunciou que grupos armados georgianos continuam na zona de conflito sem nenhum controle por parte de Tbilisi.

"Aceleraremos o recuo a partir de sexta-feira. Estamos cumprindo as obrigações que assumimos. Nós faremos isto no ritmo que a situação ditar" na zona de conflito, destacou em entrevista coletiva.

Nogovitsyn também destacou que o arsenal - armamento, equipamentos e munição - da parte georgiana apreendido tanto na Ossétia do Sul quanto na região administrada por Tbilisi não será devolvido.

"Não deixaremos nem uma arma, nem uma bala na Geórgia. Parte deste arsenal, especialmente a munição, será destruído e o resto dos espólios serão divididos entre várias unidades", declarou.

O militar também afirmou que o plano de cessar-fogo da União Européia (UE) e o recuo de forças também afetam as tropas georgianas que foram retiradas do Iraque, por isto elas deverão voltar para este país.

Por sua vez, o assistente do comandante-em-chefe do Exército russo, Igor Konashenkov, anunciou que Moscou retiraria suas tropas do território administrado por Tbilisi em último lugar e só após completar o recuo de suas unidades militares da Ossétia do Sul.

"Em primeiro lugar, as unidades de retaguarda recuarão, assim como a segunda e a terceira linhas. As unidades de frente serão as últimas a sair", disse.

Konashenkov acrescentou que "o recuo durará mais do que a ocupação na zona de conflito. A entrada das tropas foi rápida por causa da necessidade de salvar a vida dos civis e de ajudar as forças de paz".

Além disso, Konashenkov acrescentou que "as tropas russas ainda têm que guardar material, revisá-lo e transportá-lo".

Altos comandantes militares russos chegaram a comunicar às autoridades georgianas que precisavam de dois dias para completar o recuo de várias cidades que ainda estão sob seu controle.

Os russos precisarão de mais 48 horas para abandonarem tanto a estratégica cidade de Gori, próxima à fronteira com a Ossétia do Sul, como as localidades de Kareli, Kaspi e Jashuri.

Enquanto isto, os soldados russos continuaram hoje as operações contra as infra-estruturas civis e militares georgianas, e seguem ocupando Senaki e Zugdidi, perto da fronteira com a região separatista da Abkházia.

Segundo a emissora de rádio "Imedi", militares russos atearam fogo hoje às instalações de um recém inaugurado acampamento juvenil na localidade de Ganmujuri, perto da Abkházia.

"O objetivo destas atividades é isolar economicamente a Geórgia e prejudicar suas relações com outras regiões restringindo as importações", denunciou o Ministério de Assuntos Exteriores georgiano em comunicado.

Pela primeira vez desde o início do conflito, Geórgia e Rússia efetuaram hoje uma troca de prisioneiros de guerra.

A parte georgiana entregou cinco militares à Rússia, dois deles pilotos, cujos aviões foram derrubados quando sobrevoavam território georgiano.

Em troca, Tbilisi recebeu 15 militares georgianos.

Por outro lado, o alto comissário da ONU para os Refugiados, António Guterres, pediu hoje que Geórgia e Rússia permitam a abertura de um corredor humanitário na área de conflito.

O ministro de Assuntos Exteriores britânico, David Miliband, chegará hoje a Tbilisi para mostrar seu apoio à integridade territorial georgiana, mas antes de viajar se mostrou contrário ao isolamento da Rússia.

Por sua vez, os ministros de Assuntos Exteriores da França, Bernard Kouchner, e da Alemanha, Frank-Walter Steinmeier, pediram que a Rússia retirasse suas tropas da Geórgia. EFE io-mv/wr/fal

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