Rússia desafia os EUA e atrasa saída da Geórgia

As tropas russas permaneciam em solo georgiano, nesta quinta-feira, apesar do cessar-fogo, da tensão com os Estados Unidos e de novas acusações do governo de Tbilisi, que garantiu que um comboio de veículos armados inimigos avança em seu território.

AFP |

Pelo menos 130 veículos armados russos saíram da cidade georgiana de Zugdidi (oeste), rumo ao interior do país, informou o porta-voz do Ministério do Interior, Chota Utiashvili, nesta quinta, à AFP.

Um total de "130 veículos armados russos abandonou Zugdidi e está se dirigindo para Kutaisi", a segunda cidade mais povoada da Geórgia, declarou Chota.

"No momento, estão em Khobi", 20km ao sul de Zugdidi, próximo da república georgiana separatista pró-russos da Abkházia, completou.

Essa denúncia georgiana surge ao término do dia em que os contingentes de Moscou deveriam ter se retirado de Gori. No entanto, uma caravana de 20 caminhões georgianos que se dirigia pela manhã para a cidade deu meia volta, após topar, em um posto de controle, com uma formidável formação militar russa.

Nos arredores da cidade, foram ouvidas explosões, e colunas de fumaça podiam ser vistas. Na periferia, um general russo bastante irritado e um alto responsável georgiano, visivelmente nervoso, reuniram-se.

Antes do encontro, o comandante russo da zona, general Viatcheslav Borisov, junto com o secretário do Conselho de Segurança georgiano, Alexandre Lomaya, arremeteu contra os jornalistas, em uma entrevista coletiva improvisada na periferia de Gori, acusando-os de mentir, ao informarem que a cidade estava destruída.

O embaixador da França na Geórgia, Eric Fournier, cujo país negocia um acordo para deter as hostilidades russo-georgianas, também confirmou que a Rússia havia se comprometido a retirar suas forças armadas de Gori no mais tardar na sexta-feira.

Enquanto no terreno a situação era incerta e o cessar-fogo se mantinha frágil, os pauzinhos eram mexidos no nível diplomático, no Forte de Begançon, no sul da França, onde a secretária de Estado americana, Condoleezza Rice, reuniu-se com o presidente francês, Nicolas Sarkozy.

Em escala rumo a Tbilisi, para onde irá na sexta, Rice reivindicou, junto com Sarkozy, o fim do conflito na Geórgia, reiterando seu apoio à soberania territorial da ex-república soviética frente à Rússia.

"No terreno, as coisas vão melhor, mas é preciso consolidar a paz", frisou o presidente francês, enquanto que, de Washington, o Departamento de Estado confirmava a chegada a Tbilisi de um segundo avião militar C-17 americano com ajuda humanitária.

O conflito foi deflagrado na quinta-feira passada, quando tropas georgianas tentaram retomar o controle da república separatista da Ossétia do Sul, que, assim como a Abkházia, escapou da autoridade de Tbilisi desde o início dos anos de 1990. Ambas pretendem se unir à Federação Russa.

Em represália, Moscou detonou uma ofensiva militar na Geórgia.

Na terça-feira, Geórgia e Rússia assinaram um cessar-fogo que prevê o recuo das tropas para as posições antes da escalada.

O ministro russo das Relações Exteriores, Serguei Lavrov, declarou que a integridade territorial da Geórgia está "limitada de fato". Além disso, o presidente russo, Dimitri Medvedev, anunciou que seu país "apoiará" e "garantirá" qualquer decisão da Abkházia e da Ossétia do Sul.

Pouco depois, em uma coletiva de imprensa em Moscou, os chefes dessas duas regiões proclamaram sua firme determinação de se tornarem independentes da Geórgia.

Hoje, o presidente americano, George W. Bush, reiterou sua solidariedade com "uma Geórgia livre e soberana". Já o governo russo advertiu que o apoio dos EUA aos líderes georgianos poderia provocar a repetição do "trágico cenário" dos últimos dias e pediu a Washington que adote "uma atitude responsável".

A Geórgia é candidata a aderir à Otan, assim como a Ucrânia, e isso irrita a Rússia, por considerar que está sendo cercada pela Aliança Atlântica, estendendo-se além de suas tradicionais áreas de influência.

A Ucrânia anunciou, por sua vez, nesta quinta, que os navios de guerra russos estacionados frente à Geórgia precisarão de autorização para retornar à sua base, no porto ucraniano de Sebastopol.

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