Rússia dará resposta militar caso EUA montem escudo de mísseis

MOSCOU - A Rússia disse, nesta terça-feira, que vai utilizar meios militares caso os Estados Unidos montem um escudo de mísseis perto de suas fronteiras.

Redação com agências internacionais |

AP
     Na República Tcheca, duas mil pessoas protestaram contra instalação do radar

'Se a barreira de mísseis norte-americana começar a chegar perto de nossas fronteiras, então seremos forçados e reagir de modos não-diplomáticos, com métodos técnicos e militares', disse o ministro das Relações Exteriores da Rússia em um comunicado no site do Ministério ( www.mid.ru ). O país considera o sistema antimíssil um elemento capaz de minar sua capacidade de dissuasão nuclear

Os generais mais importantes da Rússia ameaçaram usar mísseis táticos do tipo Iskander na vizinha Bielo-Rússia, além de retomar a produção de mísseis nucleares de curto e médio alcance, como resposta aos planos de defesa de Washington.

Os governos norte-americano e russo haviam acertado explorar caminhos para responder à preocupação da Rússia sobre a possibilidade de o escudo ser usado para espionar e atacar o próprio sistema russo de mísseis.

Entre as propostas debatidas atualmente incluem-se estacionar oficiais das Forças Armadas da Rússia nas instalações do escudo e prover imagens de vídeo em tempo real das atividades realizadas ali.

O escudo é uma prioridade do presidente dos EUA, George W.Bush, que espera finalizar com a Polônia um acordo sobre os interceptadores antes de deixar o cargo, em janeiro. Depois disso, o destino do sistema será decidido pelo sucessor dele.

Acordo assinado

Os EUA e a República Tcheca assinaram na terça-feira um acordo para montar em território tcheco parte do escudo norte-americano de defesa antimíssil.

Os chanceleres dos EUA e da República Tcheca brindaram com champanhe depois da assinatura do documento que permite instalar um radar de rastreamento a sudoeste de Praga.

Isso faz parte de um sistema desenhado para responder à suposta ameaça representada por mísseis a serem disparados eventualmente por nações como o Irã.

Além disso, os EUA não conseguiram ainda garantir com a vizinha Polônia a assinatura de um acordo por meio do qual dez mísseis de interceptação seriam colocados nesse país.

AFP
AFP
Condoleezza Rice e o chanceler tcheco
brindaram o acordo com champagne
O governo norte-americano diz que o escudo serve para proteger os EUA e seus aliados de ataques com mísseis vindos dos chamados 'países inamistosos' e cita informações indicando que o Irã, por exemplo, pode até 2015 dispor de mísseis de longo alcance capazes de atingir o território norte-americano.

'Quando se trata dos iranianos, nós nos deparamos, e esse também é o caso de nossos aliados e de nossos amigos, com uma crescente ameaça na forma de mísseis que atingem alvos cada vez mais distantes. Um cenário, ainda, no qual o apetite iraniano pela tecnologia nuclear continua fora de controle', afirmou a secretária de Estado dos EUA, Condoleezza Rice, após assinar o acordo.

O documento, porém, recebeu críticas também entre os norte-americanos. Alguns argumentam que o sistema não provou ser eficaz sob condições reais de operação.

Há ainda muitos tchecos contrários ao equipamento -- o tratado precisa ser sancionado pelo Parlamento desse país antes de entrar em vigor.

Segundo o projeto do sistema de 3,5 bilhões de dólares, sensores e radares detectariam um míssil inimigo em vôo e lançariam um interceptador baseado em terra a fim de destruí-lo.

Muitos tchecos desconfiam da presença de militares estrangeiros em seu território desde a invasão soviética de 1968 e a subsequente ocupação de duas décadas. Uma pesquisa de opinião divulgada no mês passado mostrou que 68 por cento deles eram contrários ao escudo, ao passo que 24 por cento concordariam com o novo equipamento.

O ministro tcheco das Relações Exteriores, Karel Schwarzenberg, argumentou que essa representava a melhor alternativa para a República Tcheca, membro da União Européia (UE) e do Tratado da Organização do Atlântico Norte (Otan), unir-se ainda mais ao Ocidente.

'A República Tcheca pode sentir-se segura caso, de um lado, ingresse na sociedade européia -- tanto do ponto de vista da segurança quanto do econômico -- e, de outro lado, mantenha sua relação com a Otan,' afirmou.

Protestos em Praga

EFE
EFE
"Não ao radar, sim à paz", diz cartaz de manifestante
Pelo menos 2 mil pessoas manifestaram no centro de Praga contra a assinatura do acordo bilateral de defesa entre os EUA e a República Tcheca, segundo os organizadores.

"Desistam, desistam. Não ao radar. Referendo: escutem nossas vozes", gritaram os participantes, com bandeiras e apitos na Praça Venceslas, onde ocorrem tradicionalmente os protestos tchecos.

Mais cedo, militantes do Greenpeace colocaram um imenso alvo sobre uma das colinas do centro de Praga.

"Não façam de nós alvos", diziam os cartazes dos militantes.

"É importante que nossos aliados conheçam o ponto de vista da sociedade tcheca", declarou o chefe do Parlamento tcheco Miloslav Vlcek (oposição social democrata, CSSD) em uma carta aberta a Rice, lembrando que dois terços da população são contra o projeto, assim como uma "proporção significativa de deputados".

(*Com informações das agências Reuters e AFP)

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