Rússia cumpre compromisso com UE e retira tropas do porto de Poti

Misha Vignanski. Tbilisi, 13 set (EFE).- A Rússia cumpriu hoje um dos principais pontos do acordo assinado esta semana com a União Européia (UE) ao retirar suas tropas do estratégico porto georgiano de Poti, no Mar Negro.

EFE |

Os soldados russos desmontaram os dois postos de controle que haviam instalado nos acessos à cidade portuária e, em seguida, , arriaram a bandeira do país, informou à Agência Efe o vice-prefeito de Poti, Gocha Tugushi.

"As tropas ocupantes russas abandonaram seus postos. Aos poucos, a vida está voltando ao normal. O porto voltou a funcionar. As pessoas já estão ficando tranqüilas", acrescentou.

Cerca de 20 blindados russos e sete caminhões de transporte militar foram vistos partindo em direção à Abkházia, província separatista da Geórgia, segundo a rádio "Fortuna".

A retirada das tropas russas, que controlavam a estrada e a ferrovia que dão acesso ao porto, começou às 8h (hora local) e terminou menos de duas horas depois.

Durante as quatro semanas em que manteve controle sobre Poti, o Exército russo afundar vários navios georgianos e destruiu as principais instalações militares e portuárias da cidade.

O comando russo reconheceu que o objetivo dessas ações foi impedir que a Geórgia lançasse uma contra-ofensiva contra as regiões separatistas da Ossétia do Sul e da Abkházia.

Poti, a única via de acesso marítimo para a ajuda humanitária enviada pelos navios dos Estados Unidos, tem uma refinaria, e o controle da cidade é vital para a economia georgiana.

Segundo a televisão do país, em cumprimento a outro ponto do acordo com a UE, os russos também estão desmontando os postos de observação em Teklati e Pirveli, localidades próximas à cidade de Senaki.

Na última segunda-feira, o presidente da Rússia, Dmitri Medvedev, se comprometeu a retirar as tropas das imediações de Poti e Senaki em uma semana, prazo que expira amanhã.

O reuco foi um adendo no acordo de cessar-fogo assinado em 12 de agosto por Medvedev e pelo presidente da França e rotativo da UE, Nicolas Sarkozy, para pôr fim às hostilidades na Ossétia do Sul.

Quanto às tropas posicionadas faixa de segurança entre o território administrado por Tbilisi e as regiões separatistas, a Rússia retirará suas tropas dez dias após a chegada de uma missão de observação da UE, o que acontecerá antes do final deste mês.

Tal missão vai ser integrada por 200 pessoas, que, sem armas, ficarão encarregadas de garantir a segurança na região.

Desde o fim do conflito armado com a Geórgia, em 12 de agosto, a Rússia montou ao todo 24 postos de controle no oeste e no norte do território georgiano administrado por Tbilisi, mas nunca se aproximou da capital.

Moscou se comprometeu a retirar suas tropas da faixa de segurança depois que a UE ofereceu garantias de que Tbilisi havia renunciado definitivamente ao uso da força contra os separatistas.

O acordo entre a Rússia e a UE não contempla a presença dos observadores europeus na Ossétia do Sul e na Abkházia, com cujas autoridades Moscou assinará esta semana um pacto de amizade, cooperação e assistência mútua em caso de agressão externa.

O Ministério da Defesa russo antecipou que a Rússia já tinha chegado a um acordo com os separatistas para o desdobramento em cada um de seus territórios de 3.800 soldados comuns, e não de forças de paz.

A UE afirmou ontem que retomaria as negociações para um amplo acordo de cooperação com a Rússia se esta retirasse suas tropas da zona de segurança.

"Se os compromissos russos se cumprirem, é perfeitamente possível que as reuniões sejam retomadas após 10 de outubro", destacaram fontes do bloco europeu.

A UE adiou no dia 1º de setembro as negociações até que as tropas russas retornassem às posições prévias à explosão do conflito na Geórgia, em 8 de agosto.

Alguns países-membros do bloco europeu, como a Lituânia, insistiram na necessidade de os observadores também serem enviados para a Ossétia do Sul e a Abkházia, mas Moscou se recusa terminantemente a aceitar isso.

Por outro lado, o secretário-geral da Organização do Tratado do Atlântico Norte (Otan), Jaap de Hoop Scheffer, afirmou em entrevista à televisão georgiana que a Rússia deve retirar o mais rápido possível suas tropas do território da Geórgia, e respaldou as ambições de Tbilisi de entrar na aliança militar.

A capital georgiana abrigará na segunda e na terça-feira a primeira reunião do Conselho Otan-Geórgia, durante a qual a situação no Cáucaso será abordada. EFE mv/wr/sc

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