Rússia critica acordo entre EUA e Espanha para defesa antimísseis

Governo russo diz que sua segurança pode ser ameaçada por navios americanos equipados com interceptadores no sudoeste espanhol

iG São Paulo |

A Rússia criticou nesta quinta-feira o anúncio de que a Espanha receberá navios americanos equipados com escudos antimísseis, dizendo que sua segurança pode ficar ameaçada com novos interceptadores dos EUA na zona europeia.

Em comunicado, a chancelaria russa disse que o posicionamento dos destróieres na base naval de Rota, no sudoeste espanhol, "não pode deixar de causar preocupação" porque representa "um aumento significativo nas capacidades antimísseis dos EUA na zona europeia."

Os EUA dizem que o escudo antimísseis servirá de proteção contra nações como Irã e Coreia do Norte. O sistema proposto pelos americanos terá mísseis antibalísticos instalados em navios no Mediterrâneo, além de instalações terrestres na Romênia, Polônia e Turquia. Ele deve entrar em operação em 2018.

A Rússia via com mais preocupação uma versão antiga do projeto, que previa a instalação de interceptadores na Polônia e de radares na República Checa. O governo Obama adotou o projeto com interceptadores em navios justamente para atenuar as preocupações russas.

Moscou, no entanto, diz que a segurança russa continuará sendo ameaçada se o sistema dos EUA for capaz de abater mísseis nucleares russos, e alerta para uma corrida armamentista se essa preocupação não for resolvida.

"Se os fatos continuarem a se desenrolar dessa maneira, a oportunidade de transformar a defesa antimísseis de uma área de confronto em um objeto de cooperação será perdida", disse a chancelaria russa.

A Rússia quer garantias jurídicas de que o sistema não será voltado contra o seu território, mas há forte oposição em Washington a qualquer restrição sobre a defesa antimísseis.

O embaixador dos EUA em Moscou disse nesta semana estar confiante num acordo sobre o tema antes de uma cúpula da Otan em maio. Moscou disse, no entanto, que o acordo EUA-Espanha reduz as chances de um entendimento.

Com Reuters

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