Rússia congela contrato de entrega de mísseis ao Irã

Após aprovação de sanções, russos anunciam que não enviarão mísseis S-300 a Teerã

iG São Paulo |

A Rússia congelará o contrato de entrega ao Irã de mísseis S-300 depois da adoção de novas sanções na ONU contra o regime de Teerã , anunciou nesta quinta-feira uma fonte do serviço federal de cooperação militar, citada pela agência Interfax.

"A decisão do Conselho de Segurança da ONU deve ser aplicada por todos os países, e a Rússia não será uma exceçao. É por isso que o contrato de entrega de mísseis terra-ar S-300 ao Irã será congelado", indicou esta fonte.

Moscou e Teerã chegaram a um acordo há algum tempo para a entrega de mísseis S-300, mas a Rússia jamais entregou estas armadas, segundo explicou, por causa de problemas técnicos.

Israel, Estados Unidos e Europa denunciaram este contrato porque este sistema sofisticado teria permitido a Teerã defender de forma eficaz suas instalações nucleares.

Sanções aprovadas

Na última quarta-feira, o Conselho de Segurança da ONU aprovou uma quarta rodada de sanções contra o Irã por conta de seu programa nuclear, que o Ocidente suspeita ter objetivo de desenvolver armas atômicas.

Foram 12 votos a favor da resolução. O Líbano se absteve, enquanto Turquia e Brasil votaram contra - os dois países negociaram um acordo em maio com o Irã que pretendia evitar as sanções.

Os 15 países do Conselho se reuniram para votar a proposta de resolução, resultado de cinco meses de negociações entre EUA, Grã-Bretanha, França, China, Rússia e Alemanha. As quatro potências ocidentais queriam medidas mais duras, inclusive contra o setor energético iraniano, mas Pequim e Moscou conseguiram diluir as punições previstas no documento de dez páginas.

Embora as novas sanções tenham sido suavizadas após negociações com a Rússia e a China - que têm poder de veto no Conselho de Segurança - elas reforçam ainda mais as medidas já existentes.

A resolução prevê restrições a mais bancos iranianos no exterior, caso haja suspeita de ligação deles com programas nuclear ou de mísseis. Estabelece também uma vigilância nas transações com qualquer banco iraniano, inclusive o Banco Central.

Além disso, ela amplia o embargo de armas contra o Irã e cria entraves à atuação de 18 empresas e entidades, sendo três delas ligadas às Linhas de Navegação da República Islâmica do Irã, e as demais vinculadas à Guarda Revolucionária.

A resolução estabelece também um regime de inspeção de cargas, semelhante ao que já existe em relação à Coreia do Norte.

Paralelamente à resolução, 40 empresas serão acrescidas a uma lista pré-existente de empresas com bens congelados no mundo todo, por suspeita de colaboração com programas nuclear e de mísseis do Irã.

Segundo a embaixadora dos Estados Unidos na ONU, Susan Rice, as novas sanções têm o objetivo de convencer o Irã a interromper seu programa nuclear e retomar as negociações. "Há uma séria de medidas sérias e compulsórias nesta resolução. Ela é forte e ampla e deve ter um impacto significativo no Irã", disse Rice.

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