Rússia confirma acordo para sanções contra Irã

Novo projeto de resolução contra Teerã deve ser discutido no Conselho de Segurança da ONU

iG São Paulo |

O chefe da diplomacia russa, Serguei Lavrov, confirmou nesta quarta-feira que a Rússia está de acordo com o projeto de resolução na ONU que prevê novas sanções contra o Irã em consequência do polêmico programa nuclear de Teerã.

AFP
Secretária de Estado dos EUA, Hillary Clinton, anuncia acordo sobre sanções contra o Irã na última terça-feira
Lavrov fez a afirmação a sua colega americana, Hillary Clinton, em uma conversa por telefone na terça-feira, segundo o ministério russo das Relações Exteriores.

"A parte russa confirmou que o acordo dentro do grupo 5+1 (Rússia, Estados Unidos, França, Reino Unido, China, Alemanha) sobre o projeto de resolução é mantido", destaca um comunicado do ministério.

"A próxima etapa consiste em seguir o trabalho dentro do Conselho de Segurança da ONU no qual os membros não permanentes poderão expressar sua opinião sobre o projeto", acrescenta o documento.

Esta resolução, promovida pelos Estados Unidos, foi submetida ao Conselho de Segurança na terça-feira e prevê reforçar as sanções contra o Irã, apesar do plano turco-brasileiro apresentado na segunda-feira para permitir o enriquecimento de urânio iraniano no exterior.

Ainda não está claro quando a resolução, que precisa de 9 dos 15 votos do Conselho de Segurança da ONU para ser aprovada, será votada.

Pressão internacional

Pelo esboço de resolução, as sanções terão como alvo as instituições financeiras do Irã, incluindo as que apoiam a Guarda Revolucionária Islâmica, que é responsável por fiscalizar os aspectos militares do programa nuclear iraniano e, em anos recentes, também se tornou a força política e econômica mais importante do país. Muitos iranianos desprezam a corporação por seu papel brutal na repressão dos protestos nas contestadas eleições presidenciais do ano passado.

A Rússia e a China, que vinham sendo os países mais resistentes aos esforços liderados pelos EUA para impor uma nova punição ao país persa, bloquearam quaisquer sanções que impediriam o fluxo de petróleo dos portos iranianos ou de gasolina para o país.

Pelo elemento mais novo da proposta, os países teriam de inspecionar navios e aviões que entrem ou saiam do país se houver suspeitas de que carregam materiais proibidos. Mas, assim como no caso da Coreia do Norte, não há autorização para embarcar nesses navios à força em alto-mar, medida que muitas autoridades advertiram que poderiam desatar um tiroteio e, talvez, um conflito mais longo. Se aprovada, a resolução será a quarta rodada de sanções com o objetivo de induzir o Irã a desistir de quaisquer ambições de construir a bomba.

Mas, mesmo que as sanções sejam aprovadas, não está claro se causarão suficiente dano para forçar o país a cooperar. As três rodadas prévias fracassam em seu principal objetivo: forçar o Irã a suspender o enriquecimento de urânio e cumprir com todas as reivindicações da Agência Internacional de Energia Atômica para permitir a inspeção de todas as instalações suspeitas, entregar documentos relacionados à pesquisa de armas e permitir entrevistas com cientistas iranianos.

O Irã diz que seu programa de desenvolvimento nuclear tem o objetivo de produzir energia para uso civil, mas autoridades americanas e europeias revelaram atividades que não parecem relacionadas à simples produção de eletricidade, afirmando que Teerã não cumpriu com obrigações do Tratado de Não-Proliferação Nuclear para permitir inspeções a todas suas instalações nucleares.

Outras sanções

Em março de 2008, a ONU impôs uma última rodada de sanções ao país, que incluem a proibição de viagens internacionais para cinco autoridades iranianas e o congelamento de ativos financeiros no exterior de 13 companhias e de 13 autoridades iranianas. A resolução também impede a venda para o Irã dos chamados itens de "uso duplo" – que podem ter objetivos pacíficos e militares.

Em 10 de junho de 2008, os Estados Unidos e União Europeia anunciaram que estariam dispostos a reforçar as sanções com medidas adicionais.

Treze dias depois, a UE concordou em congelar bens do maior banco iraniano, o Banco Melli, e estender a proibição de vistos para iranianos envolvidos no desenvolvimento do programa nuclear.

Ainda em junho daquele ano, o então representante da União Europeia para política externa, Javier Solana, apresentou, em nome de China, UE, Rússia e Estados Unidos, um pacote de incentivos econômicos ao Irã em troca de garantias de que o país não fabricaria armas nucleares.

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