Rússia busca no Oriente apoio contra a Geórgia

MOSCOU - O presidente russo, Dmitry Medvedev, buscou, nesta quinta-feira, o apoio do Oriente para o seu conflito com a Geórgia, visto como prenúncio de uma possível nova Guerra Fria.

Reuters |

Medvedev foi ao Tadjiquistão participar de uma cúpula regional de segurança, envolvendo também a China e quatro países da Ásia Central, que deve ter a crise da Geórgia como item de destaque na pauta.

Várias ex-repúblicas soviéticas e países da Ásia costumam se alinhar a Moscou nas suas crises com o Ocidente, mas mantiveram um notável silêncio no atual conflito.

Citando a necessidade de evitar um 'genocídio', Moscou enviou tropas e tanques neste mês para a Ossétia do Sul e para a Abkházia, duas regiões separatistas da Geórgia. Nesta semana, o Kremlin reconheceu a independência dessas duas repúblicas .

Reagindo a isso, a Geórgia reduziu sua representação em Moscou a dois diplomatas. Na quinta-feira, o Parlamento discute o futuro das relações com o gigante vizinho.

EUA e União Européia, importantes aliados da Geórgia, pediram à Rússia que desocupe imediatamente a ex-república soviética do Cáucaso, conforme prevê um cessar-fogo mediado neste mês pela França.

Em declaração conjunta na quarta-feira, o G7 (grupo dos sete países mais industrializados do mundo) condenou o reconhecimento da independência das regiões rebeldes por Moscou e acusou os russos de usarem força excessiva na Geórgia.

Analistas dizem que Moscou está agindo para conter a crescente influência ocidental no Cáucaso, importante rota de gasodutos que ligam o mar Cáspio à Europa, sem passar por dentro da Rússia.

O que mais interessa à Rússia é obter o apoio da China na cúpula do Tadjiquistão. Pequim pode relutar em concedê-lo, pois também enfrenta movimentos separatistas em seu território.

Os outros quatro países dessa cúpula (Tadjiquistão, Uzbequistão, Cazaquistão e Quirguistão) são ex-repúblicas soviéticas que habitualmente buscam um equilíbrio entre Moscou e o Ocidente. Junto com China e Rússia, formam a chamada Organização de Xangai para a Cooperação, apelidada de 'Otan do Oriente'.

Por causa dessas posições individuais, analistas dizem que o máximo que Medvedev pode esperar é uma declaração em que o grupo diz entender os motivos russos, sem ir além disso.

Dmitry Peskov, porta-voz do primeiro-ministro russo, Vladimir Putin, disse que o Kremlin não irá 'torcer o braço de ninguém para fazê-los apoiar' o reconhecimento da Ossétia do Sul e Abkházia.

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