Rússia autoriza Otan a usar seu território para abastecer missão no Afeganistão

Em um raro gesto de cooperação, a Rússia chegou a um acordo com a Organização do Tratado do Atlântico Norte (Otan), durante a cúpula em Bucareste, para que a Aliança possa usar seu território para transportar equipamento não-militar à missão no Afeganistão, o que deve reduzir o custo da guerra contra os talibãs.

AFP |

O acordo sobre o Afeganistão foi o único passo concreto entre ambas as partes no Conselho Otan-Rússia, realizado nesta sexta-feira no Palácio do Parlamento de Bucareste, e no qual o presidente russo, Vladimir Putin, acusou os líderes aliados de ter "demonizado" seu país.

"Equipamentos não-militar para a Força Internacional à Segurança no Afeganistão (Isaf) podem ser transportados através do território russo", afirmou o secretário-geral da Otan, Jaap de Hoop Scheffer, durante coletiva de imprensa ao final da reunião.

Segundo o acordo, a Aliança poderá utilizar território russo para transportar alimentos, combustível, veículos de transporte e autopeças destinadas à missão no Afeganistão.

A Otan negociava há dois anos com Moscou a autorização para transportar pelo território e espaço aéreo russo equipamentos para os soldados da Isaf, liderada pela própria Otan desde 2003, e que conta atualmente com 47 mil soldados de 39 países.

Foram muitas as demonstrações de cooperação durante a cúpula. Perante o pedido de reforços militares para combater a feroz resistência talibã no sul e no leste do Afeganistão, os países da Otan ofereceram tropas que aumentarão "substancialmente" a força.

A França, por exemplo, enviará um batalhão adicional de 700 homens para atuar no leste do país.

Nesse contexto, muitos são os gastos desse combate e a possibilidade de transportar equipamentos pela Rússia, até mesmo por trem, deve ajudar a reduzir os custos desse conflito.

O embaixador russo, Dmitri Rogozin, indicou na semana passada que "um acordo era importante porque são muitos os que estão lutando contra os talibãs e a al-Qaeda", organização terrorista liderada por Osama Bin Laden.

Rogozin afirmou também que os destinos da Rússia e da Otan no Afeganistão são interdependentes, já que ambos sairiam perdendo caso a vitória dos talibãs.

De acordo com um diplomata ocidental, a Otan e a Rússia mostraram desta forma a vontade de continuar cooperando em áreas concretas, apesar das divergências sobre Kosovo, o escudo antimíssil americano e a ampliação da Aliança.

A cooperação Otan-Rússia já existe em termos de luta contra o narcotráfico, patrulhamento de navios russos no Mediterrâneo e defesa antimíssil dos exércitos em operação.

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