Rússia apoia pedido de adesão de palestinos à ONU

Palestinos buscam status de país-membro nas Nações Unidas, mas enfrentam resistência dos Estados Unidos

iG São Paulo |

O embaixador da Rússia nas Nações Unidas, Vitali Churkin, anunciou que seu país apoiará o pedido de adesão de um Estado Palestino à ONU, informou nesta segunda-feira a agência de notícias Interfax. "Vamos, é claro, votar a favor de qualquer proposta dos palestinos, mas devo ressaltar que não os pressionamos (nesse sentido)", disse.

AP
Em Ramallah, palestinos fazem uma manifestação em busca do reconhecimento de um Estado

A Autoridade Nacional Palestina (ANP) iniciou oficialmente na semana passada sua campanha para obter reconhecimento na ONU como Estado membro de pleno direito, pedido que apresentará na Assembleia Geral da organização no final de setembro. No entanto, os líderes devem escolher se o pedido deverá ser submetido ao Conselho de Segurança ou à Assembleia Geral.

Se submetido ao Conselho de Segurança, seria possível ao palestinos conseguir um status de "país-membro da ONU", mas enfrentariam o veto dos Estados Unidos . Porém, se optarem pela segunda via - o reconhecimento pela Assembleia Geral - eles precisarão de 129 votos a favor, ou seja, dois terços dos 193 membros.

O caminho da Assembleia Geral possibilitaria um status de "país observador não-membro da ONU", melhor se comparado ao de hoje que é de "entidade observadora". Essa nova classificação permitiria que os palestinos se tornassem membros de organizações como a Unesco, Organização das Nações Unidas para a Alimentação e Agricultura (FAO) ou o Tribunal Penal Internacional (TPI). "A Palestina já tem o reconhecimento de 125 países, e ainda existem outros simpatizantes", avaliou Churkin.

Estados Unidos

O presidente da ANP, Mahmoud Abbas, deve comparecer ao plenário da ONU no dia 23, mas ainda não foi informada a data da votação para o reconhecimento do Estado palestino.

Na semana passada, o enviado especial dos Estados Unidos para o processo de paz no Oriente Médio, David Hale, fracassou em sua tentativa de fazer com que os palestinos desistissem de solicitar o reconhecimento como Estado na ONU. Acompanhado pelo conselheiro de segurança para o Oriente Médio, Dennis Rosse, e pelo cônsul dos EUA em Jerusalém, Daniel Rubinstein, Hale se reuniu com o presidente palestino em Ramallah. Na ocasião, Abbas afirmou que o requerimento à ONU não contradiz o processo de paz, "mas acabará com o beco sem saída” produzido pela “intransigência israelense”.

Além disso, Abbas expressou o desejo dos palestinos de retomar as negociações de paz se Israel aceitar a solução de dois Estados nas fronteiras anteriores a 1967 e pôr fim à sua política de assentamentos em território palestino.

Por sua vez, Hale disse que os EUA manterão sua posição de votar contra o reconhecimento do Estado palestino na ONU, segundo indicou o negociador palestino Saeb Erekat aos jornalistas após o encontro.

Tensão

A campanha palestina tem início em um mês de grande tensão no Oriente Médio, principalmente por causa da piora nas relações entre Israel e Turquia , devido a um relatório da ONU sobre um ataque israelense a uma frota humanitária turca no ano passado.

A frota tentava furar o bloqueio naval imposto por Israel e levar ajuda à Faixa de Gaza, e a ação militar israelense deixou nove turcos mortos. A Turquia exigiu um pedido de desculpas, que o governo israelense se recusou a fazer .

Outra preocupação de Israel é a situação na Síria, onde continua a violenta repressão aos protestos contra o presidente Bashar Al-Assad. O temor é que o governo promova um fluxo de armas que recebe do Irã, seu aliado, para o grupo Hezbollah.

Um general israelense foi repreendido pelo Ministério da Defesa por declaração na qual previu uma possível guerra no Oriente Médio. Na terça, autoridades disseram que apenas pilotos veteranos farão a patrulha dos céus de Israel. Além disso, um alto oficial deve estar presente a todo momentos nos centros de controle para tomar decisões delicadas. “A diferença entre um erro tático e uma grande crise é mínima”, disse um militar, que não quis ser identificado.

* Com AP, AFP, BBC e Reuters

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