Rússia anuncia que completou recuo de tropas, mas Geórgia não confirma

MOSCOU TBLISI - A Rússia anunciou, nesta sexta-feira, que completou o recuo de suas tropas em território georgiano para a Ossétia do Sul, enquanto as autoridades da Geórgia se limitaram a confirmar a retirada dos soldados russos das cidades que estavam ocupadas.

Redação com agências internacionais |

"O recuo das tropas russas transcorreu sem incidentes e terminou, como tinha sido planejado, às 19h50 de Moscou (12h50, Brasília)", informou ao presidente da Rússia, Dmitri Medvedev, seu ministro da Defesa, Anatoli Serdyukov, segundo a agência "Interfax".

O ministro da Defesa assinalou que os militares entraram na região separatista georgiana da Ossétia do Sul e que algumas unidades já estão em nas posições habituais, em território russo.

Segundo ele, os postos das forças de paz russas na zona de segurança, uma faixa de entre oito e 16 quilômetros no perímetro da Ossétia do Sul, já começaram a cumprir suas tarefas.

Serdyukov acrescentou que, desse modo, a parte russa cumpriu os acordos contidos no plano europeu para o conflito pactuado por Medvedev e pelo presidente francês, Nicolas Sarkozy.

As notícias de Moscou foram recebidas com extrema cautela na capital da Geórgia.

"Podemos dizer que as tropas de ocupação abandonaram as cidades de Gori, Senaki e Zugdidi", disse à Agência EFE o ministro de Reintegração da Geórgia, Temuri Yakobashvili.

As tropas russas se retiraram da localidade de Igoeti, 35 quilômetros ao noroeste da capital georgiana, e começaram a abandonar a estratégica cidade de Gori, 25 quilômetros ao sul da Ossétia do Sul.

A rede de televisão "Rustavi 2" mostrou imagens de carros blindados que recuavam em direção à Ossétia do Sul a partir de Igoeti, o ponto mais próximo de Tbilisi onde as forças russas já chegaram.

Em declarações à emissora de rádio "Imedi", o governador da Geórgia ocidental, Zaza Gorozia, disse que um total de 60 veículos blindados e 145 caminhões de transporte com soldados russos saíram de Zugdidi e Senaki em direção à Abkházia, outra região separatista georgiana.

O chefe do Estado-Maior do Exército da Rússia, Vladimir Boldirev, afirmou hoje que serão necessários vários dias a mais para retirar totalmente as forças russas da Ossétia do Sul Segundo o ministro de Assuntos Exteriores russo, Serguei Lavrov, só 500 soldados de paz russos permanecerão na Ossétia do Sul, onde serão habilitados oito postos militares.

Nessa zona de segurança, criada em virtude dos acordos de 1992 que foram congelados pelo conflito entre Geórgia e Ossétia do Sul, anteriormente havia uma força mista de paz, que incluía um batalhão russo, um georgiano e um osseta.

Na véspera, o chefe adjunto do Estado-Maior Geral das Forças Armadas da Rússia, geral Anatoli Nogovitsin, destacou que as tropas georgianas, que participaram da agressão contra a Ossétia do Sul, perderam seu direito de realizar qualquer missão na zona de responsabilidade das forças de paz.

Segundo o chefe militar russo, o acordo de 1992 entre Rússia e Geórgia para a missão de paz na região da Ossétia do Sul não pode ser denunciado unilateralmente porque não contém cláusula que o permita.

Controle de Gori retomado

O ministério georgiano do Interior anunciou que sua polícia retomou nesta sexta-feira o controle de Gori - uma informação constatada por um correspondente da AFP que viu as forças da ordem da Geórgia patrulharem essa cidade do centro do país, já durante a tarde. 

Sirenes soavam nas ruas desertas da cidade após a retirada de tropas russas, com os moradores observando com alívio o retorno da polícia georgiana.

Alguns carros eram visíveis na estrada de acesso a Gori, mas não se pode falar de uma volta em massa, se bem que a maioria dos 70.000 habitantes desta cidade tenham deixado suas casas para fugir aos combates.

As ruas estavam calmas, com exceção da praça central de Gori, onde umas 12 viaturas da polícia esperavam ordens. Kotcha Bzchavili, um morador, estava sentado observando esta cena.

"É muito bom ver a polícia aqui. Sinto-me melhor, mas a situação é muito difícil", disse à AFP.

"Todos nossos estoques de alimentos acabaram. Os soldados russos tomaram tudo o que puderam. Como vocês vêem, as lojas estão fechadas e as pessoas sentem fome".

"O mais importante para a cidade são os trabalhos de reconstrução de estradas e casas destruídas durante a guerra", comentou o prefeito de Gori, David Khmedachvili.

Algumas zonas foram devastadas por bombardeios russos, como as estradas destruídas pelos tanques de Moscou, que se retiraram nesta sexta-feira.

Segundo o secretário do Conselho de Segurança georgiano, Alexandre Lomaïa, a maior parte das cerca de 100.000 pessoas deslocadas pelo conflito na Ossétia do Sul, deverão poder retornar logo a seus lares.

(*Com informações das agências EFE e AFP)

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