Rússia anuncia que começará amanhã a retirar tropas da Geórgia

Ignacio Ortega e Misha Vignanski Moscou/Tbilisi, 17 ago (EFE).- A Rússia começará amanhã a retirar gradualmente suas tropas da zona de conflito na Geórgia, processo que, segundo a chanceler da Alemanha, Angela Merkel, precisa ser concluído o mais rápido possível.

EFE |

O presidente da Rússia, Dmitri Medvedev, comunicou hoje ao presidente da França, Nicolas Sarkozy, que começaria amanhã o esperado recuo das tropas russas, que se movimentaram livremente por território georgiano nos últimos dias sem que o Exército da Geórgia oferecesse resistência.

Medvedev explicou que as tropas russas deixariam tanto o território georgiano controlado por Tbilisi quanto a região separatista da Ossétia do Sul, onde permanecerá um contingente de pacificação.

Durante o telefonema, o presidente russo também expressou a necessidade de a Geórgia cumprir estritamente o estipulado e recuar suas tropas até as posições de antes do conflito, longe da Ossétia do Sul.

Os dois presidentes também conversaram sobre a aplicação jurídica dos seis pontos do plano europeu para pôr fim ao conflito.

Medvedev assinou ontem o plano europeu, patrocinado pela Presidência rotativa francesa da União Européia (UE), que contempla tanto o cessar-fogo quanto a retirada das tropas da zona de conflito.

No entanto, o subchefe do Estado-Maior do Exército russo, general Anatoly Nogovitsyn, disse hoje que a retirada das tropas russas da Geórgia será "gradual".

O Exército russo garante que ainda não concluiu a operação de neutralização dos arsenais e dos equipamentos militares abandonados pelas tropas georgianas.

As tropas russas abandonaram a cidade portuária de Poti, no Mar Negro, mas ainda mantêm o controle sobre as localidades de Gori, Senaki e Zugdidi, informou hoje o Ministério de Assuntos Exteriores da Geórgia.

Enquanto isso, as minguadas tropas georgianas estão concentradas nos arredores da capital.

Precisamente, Merkel chegou hoje a Tbilisi, que manifestou a disposição da Alemanha para participar de uma força multinacional de paz na região.

"Medvedev me prometeu que retiraria as tropas após assinar o plano europeu. Isto deve acontecer nos próximos dias", destacou Merkel durante uma entrevista coletiva conjunta com o presidente da Geórgia, Mikhail Saakashvili.

A chanceler alemã acrescentou que "o mundo inteiro está esperando a retirada das tropas russas", assunto que será tratado pela União Européia (UE) na terça-feira em nível de ministros de Assuntos Exteriores.

"O processo de retirada de tropas não pode se alongar por semanas. Devemos proteger a população civil (...), os observadores têm que chegar o mais rápido possível à região", disse.

Sobre isso, o ministro de Assuntos Exteriores russo, Serguei Lavrov, afirmou ontem que as tropas russas deixarão o território controlado por Tbilisi "à medida que forem cumprindo" suas tarefas de segurança, no que investirão o tempo que "for necessário".

Por outro lado, Merkel declarou hoje que a guerra na região separatista da Ossétia do Sul não implicará em nenhuma mudança na decisão tomada pela Organização do Tratado do Atlântico Norte (Otan), em abril, na cúpula de Bucareste, na Romênia.

"A Geórgia será membro da Otan se assim desejar", assegurou, acrescentando que a política de aproximação da UE com a Geórgia será ainda "mais ativa" a partir de agora.

Saakashvili voltou a acusar a Rússia de "limpeza étnica", defendeu a abertura de uma investigação internacional e exigiu a retirada "imediata" das tropas "ocupantes" russas.

"A Geórgia nunca cederá nem um metro quadrado de seu território.

Nunca aceitaremos a anexação, o separatismo e a violação do sistema democrático", afirmou.

O presidente georgiano insistiu na necessidade de criar uma força multinacional de paz como um aspecto chave para a solução do conflito.

"Não há tropas de paz russas, são soldados. A Rússia não pode ser mediadora. Não há parte osseta, já que ali todos representam a Rússia. Os separatistas são financiados por Moscou", acusou.

Saakashvili agradeceu a Merkel, a quem chamou de "valente", e a Sarkozy por seu trabalho de mediação.

"A Alemanha nos ajudará a reconstruir nossas infra-estruturas civis destruídas pelas tropas russas. A mesma predisposição foi manifestada por muitos países. Conseguiremos reconstruir tudo em um curto prazo de tempo com a ajuda do Ocidente", disse.

Por sua parte, o presidente dos Estados Unidos, George W. Bush, pediu hoje que a Rússia retirasse "imediatamente" suas tropas da Geórgia.

Washington se mostrou cético hoje quanto ao anúncio de Moscou de que retiraria suas tropas da Geórgia a partir de amanhã "Espero que desta vez honrem sua palavra", disse a secretária de Estado americana, Condoleezza Rice, em entrevista à rede "NBC", na qual lembrou que a Rússia já tinha se comprometido anteriormente a encerrar suas operações militares na Geórgia.

Em entrevista à rede "CNN", o secretário de Defesa americano, Robert Gates, também duvidou que Moscou realize uma retirada rápida de suas tropas do território georgiano.

"Do meu ponto de vista, os russos provavelmente se atrasarão e levarão mais tempo do que gostaríamos. Acho que devemos continuar mantendo a pressão e nos garantir de que estão cumprindo o tempo previsto no acordo assinado", disse Gates. EFE io-mv/wr/gs

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