Rússia anuncia início de retirada, mas Géorgia denuncia avanço russo

A Rússia anunciou que suas tropas começaram a se retirar da Geórgia, mas as autoridades de Tbilisi negaram a informação e acusaram Moscou, inclusive, de aprofundar seu avanço em território georgiano apesar da promessa de retirada e da pressão internacional.

AFP |

O presidente russo, Dmitri Medvedev, prometeu no domingo retirar a partir desta segunda-feira suas tropas da Geórgia, que acusa Moscou de "consolidar" suas posições em seu território.

"Hoje, de acordo com o plano, começou a retirada das tropas de paz russas", afirmou o general à televisão pública.

O porta-voz do ministério do Interior georgiano, Shota Utiashvili, no entanto, afirmou que as tropas russas prosseguiam com seu avanço em território georgiano, a partir da cidade de Jashuri (centro), apesar de seu compromisso de se retirar do país nesta segunda-feira,

"Seis veículos blindados russos se dirigem de Jashuri para Sachjere e outros seis para Borjomi", afirmou à AFP o alto funcionário.

"A situação não mudou. Não vemos qualquer retirada", afirmou o secretário do Conselho de Segurança georgiano, Alexander Lomaia.

Jornalistas da AFP presentes em vários pontos do território georgiano, principalmente nas proximidades da cidade de Gori (centro) e da base militar de Senaki (oeste), observaram a presença de inúmeros destacamentos russos e não notaram sinais de que estivessem se retirando.

Ignora-se o número exato de efetivos russos que, em 8 de agosto, cruzaram a fronteira em represália pela tentativa das autoridades georgianas de retomar o controle da zona separatista pró-russa da Ossétia do Sul.

Os soldados russos continuam controlando nesta segunda o principal acesso à cidade de Gori, oeste de Tbilisi. Também estavam presentes em postos de controle da estrada para a capital.

Em Tbilisi, o presidente georgiano, Mikhail Saakashvili, insistiu na necessidade de uma retirada russa sem demora, e enfatizou que a Geórgia jamais se renderá ou tolerará a menor perda de seu território.

O conselho permanente da Organização para a Segurança e Cooperação na Europa (OSCE), por sua vez, começou nesta segunda-feira em Viena uma reunião para tratar do envio de mais observadores à Geórgia.

A OSCE vai decidir se envia ou não mais 100 observadores à Geórgia, segundo anunciou no domingo a presidência finlandesa dessa organização.

O papel desses observadores será "controlar que o cessar-fogo se cumpra da forma que foi decidido", afirmou Alexander Stubb, ministro finlandês das Relações Exteriores.

Stubb indicou que uma força militar de observação da OSCE, única organização internacional que no momento mandato para atuar na região, começaria a ser posicionada na zona no início da próxima semana.

Inúmeros países da OSCE, que tem 56 membros na Europa, América do Norte e Ásia Central, ofereceram seu apoio para enviar observadores, entre eles a Suécia, Dinamarca e Finlândia, que ofereceram dez observadores cada um.

Os ministros de Relações Exteriores da Otan, por sua vez, vão reiterar na terça-feira o apoio à Geórgia durante reunião extraordinária em Bruxelas, mas parecem divididos sobre a estratégia a tomar a longo prazo ante a Rússia.

"Examinaremos com nossos aliados e de forma bilateral as conseqüências das ações da Rússia, em relação a sua integração nas instituições", disse Condoleezza Rice, que vai participar.

O encontro de Bruxelas foi convocado a pedido de Washington.

As tropas russas entraram no dia 8 de agosto na Geórgia em represália por uma ofensiva militar empreendida por Tbilisi um dia antes, para tomar o controle da Ossétia do Sul, uma região separatista pró-russa.

Em abril, os dirigentes da Organização do Tratado do Atlântico Norte (Otan) se negaram a conceder imediatamente o status oficial à adesão da Geórgia e da Ucrânia, duas ex-repúblicas soviéticas, embora tenham aceitado acolhê-las no futuro. Naquela época, Alemanha e França haviam expressado reticências.

O acesso de Tbilisi e Kiev à candidatura oficial à adesão, será objeto de nova avaliação em dezembro pelos 26 países da Otan. Moscou se opõe mais que nunca à ampliação da Aliança Atlântica a suas fronteiras.

bur/cn

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