Bruxelas, 18 ago (EFE).- O embaixador russo na Organização do Tratado do Atlântico Norte (Otan), Dmitri Rogozin, advertiu hoje que, se a Aliança Atlântica ignorar a realidade e não criticar a atuação do Governo georgiano na região separatista da Ossétia do Sul, Moscou revisará suas relações com a organização.

Rogozin disse, em entrevista coletiva, que a Rússia acompanhará com atenção o encontro de ministros de Exteriores da Otan que será realizado amanhã, em Bruxelas, e confia em que estes tomarão decisões "equilibradas" e acabarão com o "cinismo" em torno do conflito do Cáucaso.

Segundo fontes da Otan, o mais provável é que os aliados reiterem seu apoio e solidariedade em relação a Tbilisi e voltem a condenar a atuação russa, como já fizeram na semana passada.

O embaixador russo informou que seu país retirou o pedido que apresentou na semana passada para convocar uma reunião extraordinária do Conselho consultivo Otan-Rússia, ao considerar que "não é mais pertinente".

"Não vamos continuar esperando", disse Rogozin, para quem o encontro não ocorreu porque os Estados Unidos "não querem responder na presença de seus parceiros europeu às perguntas da Rússia".

Na segunda-feira passada, a Aliança Atlântica começou a planejar o conselho com a Rússia para um dia depois (quando recebeu a uma delegação da Geórgia), mas os Estados Unidos solicitaram mais tempo para preparar a reunião, sobre a qual ainda não foi tomada uma decisão.

"É evidente que os EUA não queriam realizar o encontro e preferiam receber toda a informação via Tbilisi", disse Rogozin hoje.

Lamentou que todos os progressos na cooperação Otan-Rússia registrados nos últimos anos possam ser postos a perder devido ao apoio do Ocidente ao presidente georgiano, Mikhail Saakashvili, a quem voltou a acusar de planejar uma "limpeza étnica em grande escala" na Ossétia do Sul.

Neste sentido, afirmou que a Rússia "não pode aceitar" que a Otan "defenda" o presidente georgiano nem que diga que as aspirações da Geórgia de entrar na Aliança seguem intactas, como afirmou na semana passada o secretário-geral da Otan, Jaap de Hoop Scheffer.

O diplomata disse que, apesar de Moscou se negar a ter contato com Saakashvili, o diálogo com representantes georgianos para tratar assuntos como a ajuda humanitária à Ossétia do Sul e a troca de prisioneiros do conflito é contínuo. EFE mvs/an

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