Rússia ameaça instalar foguetes se não chegar a um acordo com os EUA

LAquila (Itália), 10 jul (EFE).- O presidente da Rússia, Dmitri Medvedev, reiterou hoje sua advertência que Moscou desdobrará uma bateria de foguetes táticos Iskander no enclave russo de Kaliningrado, entre Polônia e Lituânia, se não chegar a um acordo com Washington sobre o escudo antimísseis americano.

EFE |

"Se não pudermos chegar a um acordo sobre a defesa com mísseis, vocês sabem quais são as consequências", disse Medvedev durante a entrevista coletiva conclusiva da delegação russa na Cúpula de Chefes de Estado e de Governo do Grupo dos Oito (G8, as nações mais ricas e a Rússia), que terminou hoje na cidade italiana de L'Aquila.

"Não tenho nada que acrescentar ao que disse em meu discurso à nação" de novembro do ano passado, disse o presidente russo, que voltou a definir o escudo antimísseis dos Estados Unidos como uma "ameaça" para seu país.

Estas declarações - nas quais Medvedev lembra seu discurso do dia 5 de novembro no qual ameaçava desdobrar os foguetes em resposta ao escudo americano - foram feitas depois da recente cúpula bilateral entre Rússia e Estados Unidos, que aconteceu em Moscou nos dias anteriores ao G8 e na qual ambos os países mostraram uma boa sintonia.

"Não haverá nenhum progresso sobre outros assuntos até que não se resolva a irritante questão do escudo antimísseis americano", recalcou o presidente russo, que recentemente tinha se mostrado partidário da criação de um sistema defensivo global.

Entre esses outros assuntos, dos quais Medvedev falou com o presidente americano, Barack Obama, em Moscou, está a regulação da proliferação e do desarmamento nuclear.

"Mas estes são assuntos sobre os quais não se farão progressos enquanto se continuar com o projeto de escudo antimísseis de (o ex-presidente americano, George W.) Bush na Europa", disse o presidente russo.

"É um projeto ruim porque não dá nenhuma garantia contra as ameaças do futuro, enquanto a instalação de um radar na República Tcheca permitiria aos Estados Unidos ter sob controle a maior parte do território russo. Se os EUA querem proteção perante as ameaças, nós podemos ajudá-los com nossos radares", acrescentou.

Diante das perguntas dos jornalistas sobre a falta de experiência de Obama na cena internacional, Medvedev afirmou que "não se avalia uma pessoa pela duração de seu posto" e comentou que gosta de falar com o presidente americano.

"Acho que tem uma boa opinião de mim. Penso que juntos poderemos dar passos para frente, como fizemos em relação há seis meses, quando não falávamos", ressaltou o presidente russo. EFE mcs/ma

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